O GLOBO – 05/04/2020 

LUCCAS OLIVEIRA E SILVIO ESSINGER

A terceira edição do #tamojunto — festival online de música organizado pelo GLOBO para estimular o combate à propagação da Covid-19 —celebrou a MPB e o BRock, na sexta e no sábado, respectivamente.


Anteontem, uma efeméride acabou por ser o ponto de ligação entre diversas lives da tarde e da noite: era o dia em que Cazuza completaria 62 anos, e o cantor foi homenageado de várias formas.

Com “Exagerado”, hino da carreira solo do amigo que morreu em 1990, Paulo Ricardo iniciou aquela que revelou ser “a segunda live” da sua vida. O ex-RPM ainda lembrou o aniversário de outro contemporâneo querido, Renato Russo (que completaria 60 anos no último dia 27 e foi celebrado com “Ainda é cedo”).

Saxofonista do Kid Abelha, George Israel revezouse por violão, sax e vocais para lembrar músicas que fez com Cazuza, como “Brasil” e “Solidão que nada”.

Ex-Barão Vermelho, banda que lançou Cazuza, Rodrigo Santos também cantou hits do cantor, como “Codinome beija-flor” e “Pro dia nascer feliz”. Já Rodrigo Suricato, atual vocalista da banda, lembrou “Eu queria ter uma bomba”.

De Porto Alegre, no violão e na gaita, Humberto Gessinger foi um dos campões de audiência do festival ao fazer uma extensa passada por sua obra, que incluiu clássicos dos Engenheiros do Hawaii e músicas da carreira solo.

Também ao violão — e com intervenção da filha Sky, de 4 anos — Lucas Silveira atacou de hits do Fresno. Ele ainda surpreendeu o público com sua interpretação acústica de “Disk me”, tecnobrega de Pabllo Vittar.

Outros veteranos que lembraram seus sucessos foram Toni Garrido (Cidade Negra) e Digão (Raimundos). Já a nova geração foi representada por Daíra, que cantou Belchior, Cyro Sampaio (Menores Atos) e Benke Ferraz e Dinho Almeida, do Boogarins.

Encerrando a noite, Rodrigo Amarante criou um clima bossa nova, com seu violão, em releituras de músicas de Los Hermanos e da carreira solo.

SANFONAS E ‘KARAOKÊ’

Um dia antes, na sexta, a programação abraçou quase toda a indefinição que envolve o conceito de música popular brasileira no século XXI. Tanto que ela pode nem ser tão brasileira assim, com o português António Zambujo abrindo o lineup do primeiro dia cantando músicas próprias e também aquelas feitas por compositores nacionais que o gajo admira, como Vinicius de Moraes e Chico Buarque.

Acompanhada por violão e acordeão, Elba Ramalho interpretou compositores como Dominguinhos, Alceu Valença e Gonzagão. A sanfona, instrumento tão brasileiro, protagonizou ainda a live do carioca Marcelo Caldi, especialista em choro e forró, e surgiu na performance de Marcelo Jeneci, que interpretou sucessos e conversou sobre a quarentena com o público.

A noite ganhou cara de karaokê autoral com a divertida apresentação de Clarice Falcão, que até filtros de Instagram usou. A cantora e atriz tocou algumas de suas canções mais conhecidas, como “Mal pra saúde”, endereçada pela artista ao presidente Jair Bolsonaro.

Também tocaram na sexta Lucas Santtana, Marina Íris, Maíra Freitas, Luiz Gabriel Lopes, Roberta Campos, Joyce Moreno e Paula e Jaques Morelenbaum.