O GLOBO – 07/04/2020

Vencedora na categoria música do prêmio Faz a Diferença do GLOBO em 2020, destaque entre os shows de 2019 graças à apresentação que fez no Rock in Rio com Alcione e uma das grandes estrelas do pop brasileiro, a cantora Iza seguia num ritmo alucinante antes de o mundo parar com a Covid-19. Entre compromissos com TV (no programa “Música boa”, que foi do canal Multishow para a TV Globo), a preparação do seu próximo álbum, participações em músicas de outros artistas e projetos de audiovisual, no início de março ela separou uma quarta-feira de sol para vir ao terraço da sede da Editora Globo, no Rio de Janeiro, participar da série de vídeos Toca no Telhado.


— Queria que o meu dia tivesse umas 48 horas, é muita coisa ao mesmo tempo! — desabafou Iza na ocasião, descrevendo sua rotina pré-pandemia. — A cada dia que passa eu tento fazer com que o meu dia seja mais prazeroso. É tanta cobrança, a gente acaba assumindo tantos compromissos que, no final do dia, não sobra nem farofa da gente! Mas eu fico muito feliz porque isso tudo que aconteceu é fruto do meu trabalho. Eu sempre pedi isso.

Simpática, Iza cumprimentou os moradores do prédio vizinho ao GLOBO que foram às janelas para vê-la gravar o vídeo, fez a claquete para os câmeras e não esmoreceu com o calor da tarde (“é um maçarico pra cada um!”). No clima de um fim de verão, ela cantou o reggae “Brisa”, um de seus maiores sucessos do ano passado.

— “Brisa” é fruto de uma vontade minha de falar de coisas boas, de coisas leves, de levar leveza para as pessoas. Eu compus essa música no início do ano passado quando estava em casa, recém-operada, e eu acho que estava procurando por leveza — disse ela, que fez a música com o marido, Sérgio Santos, e os produtores Pablo Bispo e Ruxell.

Em novembro passado, Iza lançou a música “Evapora”, com a cantora americana Ciara e o trio Major Lazer (do DJ Diplo). Seria o começo de voos mais distantes?

— Este ano eu pretendo lançar coisas em outros idiomas, mas eu não acho que seja o início de uma carreira internacional —explicou ela. — Eu comecei cantando em inglês na internet, e como eu gosto muito de black music e sempre ouvi r&b, jazz e soul, acho que o inglês acaba fazendo parte da minha expressão artística. Vou fazer mais alguns lançamentos em inglês este ano, mas sou só eu me expressando mesmo.

“A cada dia que passa eu tento fazer com que o meu dia seja mais prazeroso” _

Iza, cantora “Adoro ‘Heloísa, mexe a cadeira’, mas, quando tenho oportunidade, aproveito para tocar outras canções” _

Vinny, que escolheu a balada “Te encontrar de novo” para o “Toca no telhado”

Quem pensa em Vinny enquanto personagem emblemático do pop rock brasileiro na virada do milênio pode ter certa surpresa ao saber da existência do Vinny acadêmico. O intérprete de , de “Heloísa, mexe a cadeira”, “Shake boom” e “Uh tiazinha” é formado em Filosofia, mestre em Ciências Sociais com curso feito na Argentina e, a partir deste mês, psicanalista licenciado.

— Às vezes, você pouco associa um artista que faz músicas divertidas com alguma capacidade intelectual ou um interesse acadêmico. Eu poderia ter falado de existencialismo nas músicas, mas elas seriam um porre. Preferi aproveitar aquele momento para fazer a galera se divertir —justifica o cantor e compositor, hoje com 53 anos e mais de 22 de carreira.

Engana-se, porém, quem pensa que o Vinny artista só pensou nas pistas de dança. Ao participar da série de vídeos “Toca no telhado”, no terraço da redação do GLOBO, agradeceu pela possibilidade de escolher a música que tocaria. Afinal, raramente tem essa abertura, e se vê obrigado a fazer a turma “mexer a cadeira”.

— Eu adoro essa música, quero deixar bem claro. Mas, quando tenha

essa oportunidade, aproveito para tocar outras canções —explica Vinny, que optou pela balada romântica “Te encontrar de novo”, lançada em 1999. —A minha carreira é uma das mais irregulares da História. Nunca me preocupei em ter uma coerência musical. Fui pop, fui funk, eventualmente rock, e até samba já fiz (o álbum “Samba reggae S.A.”, de 2015).

O período de quarentena acabou paralisando os planos de um ano movimentado para Vinny, que já pensa na próxima graduação (“não vou parar de estudar nunca, é um compromisso pessoal que fiz”). O músico tinha dois projetos engatados: o “Baile do Vinny”, show dividido em blocos temáticos e pensado para fazer o público cantar e dançar com hits autorais e versões (“Para chegar arrumadinho e sair bagunçadinho”), e uma turnê conjunta com o LS Jack, grupo contemporâneo no universo pop.

—O Vitor (Queiroz, baixista do LS

Jack) me contou que a banda ia voltar, mas sem o Marquinhos (Marcus Menna, vocalista, que chegou a ficar dois meses em coma em 2004 por conta de uma lipoaspiração mal-sucedida). E, se tem alguém que faz sentido cantar com eles, sou eu. Eu fiz a música que se chama “LS Jack”. Começamos a compor, é um projeto pelo qual tenho muito carinho.