O ESTADO DE S.PAULO – 11/04/2020

Bruno Romani

Rivais no mundo dos celulares, Apple e Google decidiram juntar forças para criar uma tecnologia capaz de monitorar o avanço do coronavírus. As empresas fizeram ontem um anúncio conjunto sobre um programa amplo de colaboração para que suas plataformas móveis, respectivamente, iOS e Android, possam “conversar” para rastrear a disseminação do vírus.


A ideia é usar o Bluetooth e os contatos na agenda dos smartphones para detectar automaticamente a proximidade entre pessoas – o Bluetooth é a tecnologia escolhida por ser voltada para comunicação sem fio em curtas distâncias, o que seria ainda mais preciso do que projetos que utilizam torres de telefonia celular. A tecnologia de baixo consumo de Bluetooth permite também preservar a bateria do aparelho, algo semelhante ao usado em projetos de internet das coisas (IoT).

O projeto será implementado em duas fases: na primeira, ambas lançarão APIs (instruções e padrões de programação para acesso a um aplicativo ou software) que poderão ser embutidas em aplicativos feitos tanto para iOS quanto para Android por agências de saúde e outros parceiros do projetos.

Ao instalar esses apps, o telefone utilizará o Bluetooth para detectar se o usuário se aproximou de pessoas possivelmente contaminadas. A primeira fase deve ser concluída no mês de maio. Os aplicativos de saúde pública passarão por um processo de aprovação para obter acesso a essas APIs.

Na segunda fase, o trabalho seria estendido de maneira mais avançada nos próprios sistemas operacionais das empresas. A funcionalidade está prevista para os “próximos meses”. Quando isso acontecer, a “conversa” entre sistemas poderá acontecer por diferentes aplicativos, e não apenas onde as APIs foram instaladas. As empresas dizem que o projeto deve ser encerrado ao final da pandemia. Ainda não há informações específicas para o Brasil.

Dados. Sobre privacidade, já que há crescentes preocupações sobre o aumento da vigilância no contexto de coronavírus, as empresas afirmaram que o rastreamento só será feito com o consentimento do usuário. Disseram também que publicarão informações sobre o trabalho de modo aberto para que outras pessoas possam analisar.

Os dados, segundo as empresas, ficarão armazenados no próprio celular e não serão enviados a servidores nas nuvens – a prática é semelhante ao que a Apple já faz em diferentes ferramentas do iPhone, como o processamento de informações da assistente digital Siri.