FOLHA DE S.PAULO – 15/04/2020
O Iraque suspendeu a licença da Reuters por três meses após a agência de notícias publicar uma reportagem afirmando que o número de casos confirmados do novo coronavírus no país era maior do que o relatado oficialmente.
Além de revogar a licença, a Comissão de Comunicações e Mídia do país também multou o veículo em US$ 21 mil (R$ 108 mil) e determinou que a empresa jornalística emita um pedido formal de desculpas.
Em carta à Reuters, o órgão disse que tomou a medida “porque esse assunto está ocorrendo nas circunstâncias atuais, que têm sérias repercussões na saúde e segurança da sociedade”.
A agência, por sua vez, lamenta a decisão das autoridades iraquianas e diz que manterá a reportagem publicada, pois o texto foi baseado em fontes bem posicionadas e incluiu a posição do Ministério de Saúde do Iraque.
“Estamos tentando resolver a questão e trabalhando para garantir que continuemos a fornecer notícias confiáveis sobre o Iraque”, afirmou a Reuters em comunicado.
A reportagem da agência, publicada no dia 2 de abril, contestava os 772 casos de divulgados pelo governo até aquele momento, afirmado que havia milhares de pacientes com a Covid-19 no país.
Para isso, a reportagem citou três médicos envolvidos no processo de testes, um funcionário de Ministério da Saúde do Iraque e uma autoridade política de alto escalão. O texto foi atualizado no mesmo dia para incluir a negativa de um porta-voz do ministério. (Reuters)