O GLOBO – 04/05/2020

VICTOR FARIAS 

Durante a manifestação em favor de Jair Bolsonaro ontem em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, apoiadores do presidente agrediram jornalistas quer faziam a cobertura do ato. Um repórter fotográfico do jornal “O Estado de S. Paulo” foi empurrado e atacado com chutes e murros na barriga. As agressões na data em que foi celebrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa repercutiram nos meios jurídico e político. Em nota, a Associação Nacional dos Jornalistas( ANJ) condenou o ataque aos profissionais e afirmou que“atentar contra o livre exercício da atividade jornalística éfe rir também o direi todos cidadãos de serem livremente informados”


As agressões começaram enquanto Bolsonaro descia a rampa do Planalto para falar com os manifestantes. Um grupo começou gritar palavras contra a imprensa, e parte dos apoiadores se deslocou para uma área restrita aos profissionais. Neste momento, um repórter foi empurrado ao tentar proteger um dos colegas. Um fotógrafo que foi socorrer outro profissional também foi agredido, enquanto um dos manifestantes tentavam pegar sua câmera. Na confusão, ele teve os óculos quebrados.

Acionada, a Polícia Militar fez um cordão de isolamento para proteger os repórteres, mas as agressões verbais continuaram e cessaram apenas quando os profissionais foram retirados do local.

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia repudiou os ataques:

— Lamento a informação de ter havido agressão a jornalistas em um dia tão significativo para imprensa. É inaceitável, inexplicável, que ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel do profissional deimprensaéoqueg arante acada um de nós poder ser livre. Não há dignidade na ausência de liberdade.

Numa rede social, o ministro do STF Alexandre de Moraes disse que “as agressões contra jornalistas devem ser repudiadas pela covardia do atoe pelo ferimentoà democracia e ao estado de direito, não podendo ser toleradas pelas instituições e pela sociedade ”.

Ministro do Supremo, Gilmar Mendes também condenou os ataques:

—A agressão acadaj orna listaéu ma agressãoà democracia e tem ques er claramente repudiada.

Em nota de repúdio às agressões sofridas por sua equipe, “O Estado de S. Paulo” diz que espera que os ataques sejam apurados por agentes independentes: “Trata-se de uma agressão covarde contra o jornal, a imprensa e a democracia. A violência, mesmo vinda da copa e dos porões do poder, nunca nos intimidou. Apenas nos incentiva a prosseguir com as denúncias dos atos de um governo que, eleito em processo democrático, menos deu mano emeio depois dá todos os sinais de que se desvia para o arbítrio e a violência. Dada a natureza dos acontecimentos, esperamos que a apuração penal e civil das agressões seja conduzida por agentes públicos independentes, não vinculados às autoridades federais que, pela ação e pela omissão, se acumpliciam com o processo em curso de sabotagem do regime democrático.”