FOLHA DE S.PAULO – 07/05/2020

Julia Chaib

A determinação do ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), para o Planalto entregar a gravação em vídeo de uma reunião de ministros do dia 22 de abril, citada por Sergio Moro em depoimento à Polícia Federal, provocou uma guerra de versões de auxiliares de Jair Bolsonaro sobre quem teria manuseado o material e a extensão dele.


Aliados do presidente divergem sobre quem esteve com o cartão de memórias da gravação, mas já afirmam que o vídeo não captou o encontro por inteiro e que deverá ser entregue uma versão curta da reunião ao Supremo.

À PF Moro afirmou que, no encontro em questão, Bolsonaro pediu a substituição do diretor-geral da PF, do superintendente da corporação no Rio, solicitou acesso a relatório de inteligência e ameaçou demiti-lo caso ele não cedesse.

O chefe da assessoria especial da Presidência da República, Célio Faria Júnior, nega que esteja com o vídeo e afirmou, em nota enviada à Folha, que não compete à sua área “o registro de imagens de reuniões, tampouco o arquivo de eventuais registros”.

“As reuniões realizadas na Presidência da República são eventualmente gravadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), com a única finalidade de divulgar as imagens da agenda presidencial, na sua maioria registros curtos e pontuais”, afirmou.

Nesta terça (5), o site O Antagonista citou Faria como o auxiliar de Bolsonaro que teria ficado com o cartão de memória da gravação e o formatado. Segundo a publicação, o assessor devolveu o material a outros integrantes do Planalto apenas nesta terça e sem conteúdo.

Nesta quarta (6), Faria negou que esteja com o material: “Não tenho qualquer vídeo”. Outros auxiliares de Bolsonaro, porém, dizem que na semana passada o assessor pediu, sim, acesso ao vídeo.

E, apesar de Faria ter dito que as reuniões são eventualmente gravadas pela Secom, aliados do presidente dizem que Fábio Wajngarten, que chefia o órgão, não está com a gravação.

O registro da reunião teria sido feito pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que, segundo integrantes do Planalto, grava imagens para serem utilizadas institucionalmente.

No caso específico da reunião do dia 22, pessoas ligadas a Bolsonaro dizem que o encontro não foi gravado do início ao fim.