O GLOBO – 12/05/2020
ANA LETÍCIA LEÃO
A ação acontece em meio a uma série de manifestações que têm ocorrido no país não só pedindo o fechamento do STF, mas também contra parlamentares e o próprio Congresso. O presidente Bolsonaro participou de algumas dessas manifestações. Ontem, em São Paulo, foram registradas carreatas em alguns pontos da capital, com apoiadores do presidente pedindo também intervenção militar.
O protesto em frente ao prédio de Moraes aconteceu no último dia 2. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Alencar, engenheiro de 64 anos, e Bonzeri, profissional autônomo de 58 anos, foram presos por policiais chamados pela Guarda Civil Metropolitana. Um empresário de 35 anos, também detido durante o protesto, foi autuado por perturbação de sossego e, após registro do termo circunstanciado, foi liberado.
Por conta do que fizeram na porta do ministro, uma decisão do último domingo já havia determinado a Alencar e Bonzeri ordem para que mantivessem distância de 200 metros de Moraes. Os dois também deveriam permanecer recolhidos em casa durante a noite, assim como nos dias de folga, além de ficarem proibidos de deixar a cidade por mais de oito dias sem autorização prévia da Justiça.
Bonzeri é alvo de outra ação do Ministério Público, que retirou do ar vídeos de sua autoria que difundiam a falsa informação de que a pandemia da Covid-19 não existia.
OFENSAS E AMEAÇA
Na porta do prédio de Alexandre Moraes, o grupo pedia a saída do ministro do Supremo depois que ele decidiu impedir que o presidente nomeasse Alexandre Ramagem para a direção da Polícia Federal. Em seu despacho, Moraes alegara que a medida feria a impessoalidade do cargo do presidente, uma vez que Ramagem é amigo dos filhos do presidente.
De acordo com trechos da denúncia da promotora de Justiça Alexandra Milaré Santos, publicados pelo G1, os manifestantes permaneceram por cerca de duas horas em via pública, realizando “diversas ameaças à vítima, tais como ‘você e sua família jamais poderão sair nas ruas deste país, nem daqui a 20 anos’”.
Ainda segundo a promotora, os manifestantes usaram um caixão em um dos carros utilizados no protesto, “simulando a morte do ofendido”.
As penas pedidas foram agravadas na denúncia da promotoria pelo fato de os crimes terem sido cometidos contra um funcionário público e na presença de várias pessoas. Além disso, agravou-se, ainda, o fato de que o protesto foi realizado durante um período de calamidade pública, a pandemia do coronavírus.
O grupo do protesto usava bandeiras do Brasil e também fez ataques ao governador de São Paulo, João Dória (PSDB-SP), que critica a postura de Bolsonaro no combate ao coronavírus. De acordo com imagens divulgadas nas redes sociais, cerca de 20 pessoas estavam no local.
A polícia precisou ser chamada, e três manifestantes acabaram encaminhados à 14ª Delegacia de Polícia, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista. Dois deputados da base bolsonarista da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foram à delegacia para dar assistências aos manifestantes detidos.