O GLOBO – 17/05/2020
Nascido em Belém, no Pará, o jornalista, escritor e bacharel em Direito Luiz Maklouf Carvalho trabalhou nos jornais “Resistência”, “Movimento”, “Jornal da Tarde”, “Folha de S. Paulo”, nas revistas “Época” e “Piauí” e, desde 2016, atuava como repórter do “Estado de São Paulo”.
Vencedor de dois prêmios Jabuti de livro-reportagem, Maklouf fez sua estreia como escritor com “Contido a bala — A vida e a morte de Paulo Fontelles, advogado de posseiros no sul do Pará”, em 1994. Também foi autor de “Cobras criadas”, biografia do repórter David Nasser, cuja trajetória se confunde com a da revista “O Cruzeiro”. Escreveu ainda “O coronel rompe o silêncio”, sobre a guerrilha do Araguaia. Também é autor de “Já vi esse filme: reportagens (e polêmicas) sobre o ex-presidente Lula e o PT (1984-2005)”. No ano passado, Maklouf publicou um livro sobre o atual presidente da República: “O cadete e o capitão: A vida de Jair Bolsonaro no quartel”. A obra investiga o momento em que Bolsonaro abandona a carreira militar e ingressa na vida política, nos anos 1980. Em setembro, o jornalista concedeu uma entrevista no programa do apresentador Pedro Bial, na Rede Globo. Na ocasião, Bial o apresentou como um repórter cuja marca de distinção é a do “texto que conta sua história sem juízo de valor”. Na ocasião, Maklouf falou sobre as reações de políticos ao seu trabalho: “Os poderosos costumam não gostar de algumas histórias. Tem muito chororô de alguns personagens que se sentiram atingidos. Mas é da democracia e eles têm todo direito”, disse o jornalista, acrescentando que nunca teve condenações na Justiça por qualquer imprecisão em seus textos após mais de quatro décadas de ofício. Maklouf morreu ontem, aos 67 anos, em decorrência de um câncer de pulmão. Ele deixa a mulher, Elza, dois filhos, Luiza e Felipe, e três netos, Malu, Liz e Vicente.