O GLOBO – 25/05/2020
Plataformas digitais oferecem recursos para impulsionar as vendas online, transformando a internet em balcão de negócios
O isolamento social e as restrições ao comércio convencional, como forma de prevenir a propagação da covid-19, impulsionam em ritmo sem precedentes o aumento das compras pela internet. Da segunda quinzena de março ao fim de abril, o e-commerce brasileiro cresceu 48% em relação ao desempenho no mesmo período de 2019, de acordo com estudo da consultoria de dados Ebit/Nielsen. O movimento de alta abre oportunidades de negócios no segmento, com o desafio adicional de manter a fidelidade dos novos clientes conquistados após o início da pandemia.
Diante da ascensão da demanda online, a abertura de uma loja virtual corresponde a uma nova vitrine para quem vende em loja física, sendo também alternativa ao alcance do empreendedor iniciante, disposto a ter na internet seu balcão de negócios. Para um e outro, o mercado dispõe de empresas que oferecem plataformas digitais com todos os recursos necessários ao desenvolvimento das vendas, incluídos assistência e suporte técnico. A variedade de planos é grande, assim como a de preços, cobrados sob a forma de mensalidade e comissão por número de venda ou faturamento.
Se a aposta no potencial da internet for extensão da atividade de uma loja física, tudo fica mais fácil. Mas a gerente de atendimento da Loja Virtual, Cristiane Mattos de Sant’Ana, informa que experiência comercial não é obrigatória. A plataforma, com sede em Belo Horizonte, atende a 3,2 mil sites de e-commerce no país. “Qualquer pessoa pode ser um empreendedor, desde que haja planejamento e objetivo e que tenha estudado o mercado, sabendo o que quer vender e aonde quer chegar. Com um plano do negócio, a probabilidade de a loja dar certo é muito maior”, afirma.
A ativação de um site de ecommerce, com funcionalidades básicas operadas pelo próprio empreendedor, não requer investimento vultoso, assinala Cristiane. Além da contratação da plataforma online, o lojista virtual precisa formar estoque de produtos, dedicar tempo para o atendimento dos clientes e trabalhar a divulgação da loja em redes sociais e mecanismos de busca. “Se a pessoa investir no e-commerce os R$ 600 do auxílio emergencial do governo, em 30 dias terá retorno”, garante a gerente da Loja Virtual, cuja procura aumentou 12% acima das previsões para abril e maio, em sintonia com o recrudescimento da pandemia.
AUMENTO NAS VENDAS
Outra plataforma de e-commerce que teve o desempenho ampliado nestes tempos de confinamento é a Nuvemshop, criada em 2011 na Argentina, e usada por 20 mil lojistas online no Brasil. O cofundador e diretor comercial Alejandro Vázquez festeja um aumento semanal de 25% nas vendas dos clientes, nas últimas sete semanas. Segundo ele, a participação dos sites com menos de um mês de vida saltou de 1% para 6% no período.
Os pacotes básicos nas plataformas têm mensalidades em torno de R$ 50, mas há ofertas abaixo de R$ 20 e até gratuidade no primeiro mês, como oferece a Nuvemshop, para atrair novos clientes em tempos de coronavírus. Os serviços incluem ferramentas e funções que permitem ao lojista iniciante compor o site, cadastrar produtos, conectar-se automaticamente com os Correios para cálculo de frete e receber pagamentos por cartão de crédito e outros meios. Planos avançados oferecem market place, que possibilita a lojistas com CNPJ vender em grandes sites.
O leque de possibilidades no e-commerce é ilimitado – de eletrônicos a itens de vestuário, de produtos de saúde e beleza a antiguidades, passando pela oferta de serviços. Mas, como em todo negócio, há riscos de insucesso dos quais o empreendedor deve se prevenir. “Uma pessoa que nunca vendeu pela internet e vai começar agora deve estabelecer metas menos agressivas, que sejam promissoras no futuro”, recomenda Cristiane.
Alejandro Vázquez concorda: “É importante pensar grande, mas começar pequeno. A operação deve ser bem pensada: administrar o catálogo de produtos, preparar os pedidos para despachar, dar atendimento às consultas pelos canais que o lojista escolher. É muito bom ter opção de entrega rápida, a custo baixo, dentro da sua cidade. Antes de se lançar no estado ou no país, é aconselhável ganhar competitividade na região de origem”, aconselha.