O GLOBO – 28/05/2020

Ocupante da cadeira de número 20 da Academia Brasileira de Letras desde 1991, quando sucedeu o general Aurélio de Lyra Tavares, Murilo Melo Filho descobriu e exerceu sua vocação bem cedo. Aos 12 anos, em Natal, já escrevi apara o caderno de esportesdo“Diário de Natal ”. Na capital potiguar, ele trabalhou ainda em “A ordem”, “A República” e nas rádios Educadora de Natal e Poti.


Aos 18, o jornalista prodígio se mudou para o Rio, onde trabalhou como repórter de polícia no “Correio da Noite”, e depois passou por “Tribuna da Imprensa”, “Jornal do Commercio”, “Estado de S. Paulo” e “Manchete”. Lá, escreveu a seção “Posto de escuta” por 40 anos.

Ele cobriu a Guerra do Vietnã, em 1967, e foi o primeiro jornalista brasileiro a acompanhar a Guerra do Camboja.

Na televisão, foi diretor e apresentador do programa político “Congresso em Revista”, da TV-Rio, que ficou no ar por sete anos.

O imortal potiguar, que chegou a se formar em Direito e advogou por sete anos, ainda morou em Brasília entre 1960 e 1965, onde construiu a sede da Bloch Editores e da Manchete, além de ter dado aula de técnica de jornalismo na Universidade de Brasília.

Presidente da ABL, Marco Lucchesi lembra de Murilo como um dos grandes jornalistas brasileiros da segunda metade do século XX e um “acadêmico exemplar, de alta sensibilidade humana, voltada sobretudo para os mais vulneráveis e desprovidos”.

Murilo Melo Filho morreu na manhã de ontem, no Rio, aos 91 anos, de falência múltipla dos órgãos. Seu corpo foi sepultado no mausoléu da ABL, no Rio, mas, por conta das restrições impostas pela pandemia de coronavírus, não foi possível realizar velório.