A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News reconheceu no fim desta quinta-feira (4) ter cometido um erro ao colocar o jornal Gazeta do Povo, do Paraná, em um relatório com quase 50 sites propagadores de notícias falsas. Consultores legislativos responsáveis pelo documento retrataram-se e retiraram o diário da lista.
“Concluímos que a inclusão do jornal Gazeta do Povo na categoria ‘canais com comportamento desinformativo’ foi equivocada”, diz o documento divulgado ontem à noite. “Nos retratamos, portanto, de ter atribuído essa classificação no anexo da informação e promoveremos a sua retirada.”
O documento original, feito por assessores do Congresso e divulgado na quarta-feira, 3, havia mapeado gastos de propaganda do governo em veículos. A inclusão do jornal no relatório havia causado protestos (leia aqui), entre eles o da Associação Nacional de Jornais (ANJ).
O erro ocorreu no momento em que o Congresso, segundo destaca o jornal O Estado de S.Paulo, tenta votar um projeto para combater fake news. Para especialistas, uma lei sobre desinformação, dada a dificuldade de definir o problema em termos objetivos, pode restringir a liberdade de expressão e causar danos ao jornalismo.
Os consultores legislativos também divulgaram nota metodológica para explicar seus critérios. Segundo eles, foi registrado “comportamento desinformativo” em canais que reiteradamente contrariam consensos científicos, difundem “teorias da conspiração” ou apresentam conteúdos potencialmente danosos à saúde pública. Além disso, foram marcados “canais nos quais existem três ou mais matérias ou conteúdos classificados como falsos, deturpados ou incorretos” por checadores de fatos.
Os checadores citados pela comissão – Estadão Verifica, Comprova, Aos Fatos, Fato ou Fake, Agência Lupa, E-farsas e Boatos.org – negaram ter sido consultados sobre a lista.
Segundo os consultores, três conteúdos publicados pela Gazeta do Povo se enquadrariam como desinformativos, dentro do modelo adotado por eles anteriormente. Para se ter uma dimensão de volume, assinalou a reportagem da Gazeta do Povo, o jornal paranaense publica mais de três mil textos por mês. Porém, dois deles não corresponderiam aos critérios estabelecidos pela própria comissão.
Um é de um blog hospedado no jornal. E o outro é um artigo publicado em 7 de maio de 2020 – fora, portanto, do intervalo de tempo definido pela CPI. “Os dois casos, é bom ressaltar, não poderiam ser enquadrados como notícias falsas”, enfatiza o diário.
Os consultores afirmam agora que a publicação do documento inicial, que lista a Gazeta do Povo, motivou uma reprogramação dos rótulos estabelecidos pela comissão para categorizar os sites.
“Percebemos a necessidade de aperfeiçoar a conceituação de ‘comportamento desinformativo’. Ficou evidente a necessidade de diferenciação entre o que é eventual erro ou equívoco, natural em toda e qualquer atividade profissional, e um comportamento voltando para falsear a verdade”, informa o novo texto dos consultores.
Leia mais em: