O ESTADO DE S.PAULO – 07/06/2020
O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Alberto Beltrame, afirmou que há uma tentativa “autoritária, insensível, desumana e antiética” de dar invisibilidade aos mortos. Ele repudiou com “veemência e indignação” o que chamou de “levianas afirmações” do secretário Carlos Wizard sobre fraudes. “(Esquecer mortos) não prosperará. Nós e a sociedade brasileira não os esqueceremos e tampouco a tragédia que se abate sobre a nação”, completou.
Beltrame rebateu Wizard e disse que os secretários não são “mercadores da morte”. “Ao afirmar que secretários de Saúde falseiam dados em busca de mais ‘orçamento’, o secretário, além de revelar profunda ignorância sobre o tema, insulta a memória de todas aquelas vítimas indefesas desta pandemia e suas famílias”, afirmou. “Wizard menospreza a inteligência de todos os brasileiros, que num momento de tanto sofrimento e dor veem seus entes queridos mortos tratados como “mercadoria”. Sua declaração grosseira, falaciosa, desprovida de qualquer senso ético, de humanidade e de respeito, merece nosso profundo desprezo, repúdio e asco”, afirmou.
Outras entidades. A possibilidade de recontagem dos números pelo governo Bolsonaro também provocou reações de outras entidades de fora da área da Saúde. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil,
Felipe Santa Cruz, disse em sua conta no Twitter que “Ministério da Saúde não adverte mais”. “Acéfalo e militarizado, prestase ao papel de empoeirar e retardar informações sérias sobre a pandemia, apenas para satisfazer o apetite conspiratório do presidente e sua batalha pessoal contra a imprensa livre. Um perigoso e letal vexame.”
Estado com o maior número de casos confirmados e óbitos do País, São Paulo diz que “manterá os critérios para contabilização de casos e óbitos. “As divulgações levam em conta o número de casos e óbitos confirmados laboratorialmente por serviços devidamente aptos a fazer diagnósticos”, disse a gestão João Doria (PSDB). Já o Conselho de Secretários Municipais de Saúde de São Paulo publicou uma nota de “repúdio” às declarações de Wizard. “A fala do representante do ministério demonstra ignorância e desconhecimento da complexidade do SUS.