O GLOBO – 11/06/2020

Pedro Doria 

Talvez sem saber inicialmente, o Supremo Tribunal Federal esbarrou no caminho que os especialistas consideram mais eficaz no combate às fake news: seguir a trilha do dinheiro. Se for mantido o inquérito sobre ataque e notícias falsas contra o STF, o Brasil terá mapeado os processos que levam à desinformação.


Dois processos simultâneos ocorrem nas fake news da política brasileira. Um é por WhatsApp. Fazendas de celulares disparam, por redes de números telefônicos cuidadosamente erguidas ao longo do tempo, as informações manipuladas. É um serviço caro, inclusive por ser ilegal. São empresários que o financiam. Condenações por esses crimes podem fazer muito para levar outros empresários a pensarem duas vezes antes de entrar no jogo de manipular eleições.

O outro se dá por redes sociais e sites de notícias falsas. As redes distribuem links para os sites. Em geral, estas ‘notícias’ confirmam aquilo que as pessoas recebem via WhatsApp, fazendo parecer que informação vista em dois cantos diferentes é informação que deve estar certa. Os algoritmos das redes ajudam a levar esses links ao público alvo. E a publicidade programática, controlada principalmente por Google e Facebook, financia os sites.

Se as descobertas do inquérito terminarem em regulação que exija das plataformas maior controle sobre o destino desta publicidade enquanto cerca os empresários que financiam os ataques, o Brasil estará no caminho para reestabelecer eleições seguras.