O ESTADO DE S.PAULO – 27/06/2020

Em uma onda de boicote por parte de anunciantes, o Facebook está sendo pressionado a mudar políticas de remoção de conteúdo na rede social. Após empresas como Ben & Jerry’s, The North Face, Verizon e Unilever anunciarem que deixarão de anunciar na plataforma, Mark Zuckerberg revelou ontem como vai lidar a partir de agora com conteúdos de ódio.


O movimento Stop Hate for Profit, iniciado por grupos de direitos civis dos EUA, levou diversas empresas a pausar seus gastos em publicidade na rede social enquanto o Facebook não tomar providências concretas em relação a conteúdo de ódio na plataforma.

Em uma carta aos anunciantes na quinta-feira, 25, a Liga Anti-Difamação disse que o Facebook se recusou repetidamente a remover anúncios políticos que continham “mentiras flagrantes’ e demorou a responder a pedidos de retirada.

Não é possível saber o tamanho do prejuízo, mas só a operadora Verizon teria gasto US$ 1,4 milhão em publicidade no Facebook entre maio e junho.

O Facebook chegou a reunir seus executivos para tratar sobre as reclamações, depois de perceber a tendência entre as marcas, mas até a tarde de ontem havia decido não alterar radicalmente a maneira como seus conteúdos são expostos.

“Não fazemos alterações nas políticas ligadas à pressão da receita”, disse Carolyn Everson, vice presidente do Global Business Group no Facebook, em um e-mail a anunciantes no fim de semana passado, que foi acessado pelo jornal The Wall Street Journal. “Definimos nossas políticas com base em princípios e não em interesses comerciais”.

Mudança. Com a possibilidade de novas desistências – segundo o Wall Street Journal, a próxima seria a Procter & Gamble –, a rede social resolveu agir.

Em sua página pessoal, Mark Zuckerberg postou na tarde de ontem um comunicado. Nele, afirma que a rede social age rapidamente para impedir e retirar mensagens de ódio. No texto, o fundador do Facebook diz, ainda, que irá banir publicações com mensagens de ódio, principalmente as relacionadas acusações de violência e insegurança por parte de grupos étnicos e religiosos.

“Acreditamos que existe um interesse público em permitir uma ampla gama de livre expressão nas postagens das pessoas do que nos anúncios pagos. Já restringimos certos tipos de conteúdo em anúncios permitidos em postagens regulares, mas queremos fazer mais para proibir o tipo de linguagem inflamatória usada para semear discórdia”, afirmou Zuckerberg.

O executivo também revelou que posts de políticos e agentes públicos que violam as políticas da plataforma serão mantidos, mas receberão um selo comunicando de que se trata de conteúdo com relevância jornalística.

“Permitiremos que as pessoas compartilhem esse conteúdo para que seja condenado, porque essa é parte importante de como discutimos o que é aceitável na sociedade – mas vamos alertar as pessoas de que esse conteúdo pode estar violando nossas políticas”, disse.

Conteúdos que incitam a violência ou a supressão de votos não receberão tolerância e serão removidos, prometeu ele – esse último item tem relevância no contexto de eleição americana. Acredita-se que em 2016, a campanha de Donald Trump lançou mão de uma campanha para inibir a participação de eleitores na votação, o que teria contribuído para a sua vitória.