O ESTADO DE S.PAULO – 13/07/2020

A equipe do The Wall Street Journal começou uma campanha para pressionar os chefes da redação a fazer mudanças fundamentais na forma em que o jornal cobre assuntos como raça, polícia e também seu principal foco – o mundo dos negócios.


Em carta enviada em 23 de junho ao editor-chefe, Matt Murray, um grupo que se identificou como “membros da redação do WSJ” disse que o periódico precisa “encorajar mais reportagens de fundo sobre desigualdades sociais e raciais”, fazendo propostas concretas para mudanças na cobertura.

Entre as propostas para Murray estão: designar jornalistas para cobrir os assuntos “raça, etnia e desigualdade”; apontar dois editores especializados em diversidade; conduzir uma pesquisas para estratificar a representação de gênero e etnia nas principais reportagens do Wall Street Journal. Por fim, a carta urge por mais diversidade na liderança da redação.

“Repórteres enfrentam resistência ao tentar refletir as vozes de trabalhadores, residentes e consumidores, com alguns editores se mostrando céticos em relação à credibilidade dessas fontes de informação, em comparação com a executivos, oficiais do governo e outras entidades”, diz a carta.

Na sexta-feira, Kamilah M. Thomas, diretora de RH da Dow Jones, que publica o WSJ, enviou um e-mail interno anunciando a recente criação do cargo de vice-presidente de inclusão e gestão de pessoas, além de outras iniciativas que são parte de uma “revisão geral das políticas de diversidade, equidade e inclusão no nosso negócio.”

O Wall Street Journal é uma das organizações de mídia que tiveram a liderança questionada em um momento de protestos generalizados contra o racismo e a brutalidade policial, iniciada a partir do assassinato de George Floyd por um policial. Entre outras publicações questionadas estão The New York Times, The Los Angeles Times e a editora Condé Nast. / NYT