O GLOBO – 23/07/2020 Desde o início da pandemia, em fevereiro, até meados de maio, cerca de 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer. Milhares de pacientes interromperam seus tratamentos, e estima-se que 70% das cirurgias oncológicas tenham sido suspensas, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. Os dados refletem o medo de pacientes da exposição ao coronavírus. — No início da pandemia, vimos o receio do contágio afastar pacientes de seus tratamentos, oncológicos ou não. O medo paralisou as pessoas. Agora, o que temos é uma demanda represada por atendimento em consultórios, clínicas e hospitais, ainda sob a pandemia. E a retomada é um desafio — afirma o cardiologista Cláudio Domênico. O médico vai debater o tema em mais uma edição dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar — desta vez, numa live, amanhã, às 10h, no site do GLOBO ou na página do jornal no Facebook. Domênico conversa sobre desafios e estratégias de segurança na retomada dos atendimentos com o mastologista Henrique Pasqualette, fundador e diretor-médico do Cepem (Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher), e o cirurgião cardiovascular Alexandre Siciliano. Criado para disseminar informações sobre formas de prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida, o evento é uma realização do GLOBO com patrocínio do Cepem. As inscrições para participar são gratuitas e podem ser feitas pelo site do Encontros O GLOBO. Cláudio Domênico conta que, se no início da pandemia conselhos regionais de Medicina orientaram profissionais para que fechassem os consultórios, o retorno ao atendimento normal foi autorizado, desde que sejam seguidas diretrizes de segurança. — Não podemos encher a sala de espera, por exemplo. Estamos marcando consultas com intervalos maiores. Em vez de atender seis ou sete pacientes, vou atender três por dia, por exemplo — diz o cardiologista. — Também orientamos os pacientes para que não venham às consultas com acompanhantes, exceto se for estritamente necessário. O mastologista Henrique Pasqualette explica que o atendimento nas clínicas também foi espaçado. — O paciente tem que ir para a clínica sabendo que está em ambiente protegido, um lugar em que os padrões de segurança garantem tranquilidade — diz Pasqualette. — A maioria das pessoas deixou de fazer os exames preventivos, e isso precisa ser retomado. No caso das intervenções cirúrgicas, Alexandre Siciliano explica que as medidas de segurança podem incluir a testagem dos pacientes, para afastar o diagnóstico de Covid-19, e destaca a importância da anamnese (entrevista feita pelo médico). — Para além do teste, é muito importante saber como a pessoa se comporta no dia a dia, qual é seu grau de exposição ao vírus, a fim de entender se está em quarentena ou não — ressalta o cirurgião cardiovascular.
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