O GLOBO – 25/07/2020 Leandro Prazeres, Carolina Brígido, Marlen Couto e João Paulo Saconi O Twitter e o Facebook suspenderam as contas de políticos, ativistas, blogueiros e empresários investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no chamado inquérito das fake news, que investiga uma suposta rede de disseminação de notícias falsas e ataques a ministros da Corte. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do STF e pelas redes sociais. A suspensão atende uma ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moares, responsável pela condução do caso. Em comunicados divulgados pelas empresas, Twitter e Facebook mencionam apenas que a suspensão se deu por força de uma decisão judicial do STF. Mensagem informando que conta foi suspensa no perfil de Sara Giromini no TwitterMensagem informando que conta foi suspensa no perfil de Sara Giromini no Twitter | Reprodução No Twitter, foram suspensas 16 contas, de acordo com apuração do Sonar. Entre elas estão as dos blogueiros Allan Lopes dos Santos e Bernardo Pires Kuster. Também foram suspensas as contas dos empresários Luciano Hang e Edgard Gomes Corona, da ativista extremista Sara Giromini e do ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson. Em nota, o Twitter informou que agiu “estritamente em cumprimento a uma ordem legal” proveniente de inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram suspesas 12 contas no Facebook. Por nota, a empresa disse apenas que “respeita o judiciário e cumpre ordens legais válidas”. Outras pessoas que tiveram as contas suspensas foram Edson Pires Salomão, assessor do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), Eduardo Fabris Portella, Enzo Leonardo Suzi Momenti, Marcelo Stachin, Marcos Domingues Bellizia, Rafael Moreno, Paulo Gonçalves Bezerra, Rodrigo Barbosa Ribeiro, o empresário Otávio Fakhoury, Reynaldo Bianchi e Winston Rodrigues Lima. Mesmo com a suspensão de contas, alguns investigados fizeram postagens contra a decisão, visíveis apenas no exterior. O Sonar encontrou registros de postagens no Twitter com críticas à decisão de Moraes feitas por Sara Giromini, Allan dos Santos, Roberto Jefferson e pelo youtuber Bernardo Kuster. Ao blog de Bela Megale, no GLOBO, o empresário Otavio Fakhoury disse que se sente “com as mãos amarradas e a boca fechada por esparadrapos”. A ordem para o Twitter foi dada por Moraes em 27 de maio, mas a plataforma ainda não tinha cumprido a decisão. Na quinta-feira, o ministro deu uma nova determinação, com prazo de 24 horas para o cumprimento. Segundo a decisão, a suspensão das contas era necessária para interromper os “discursos com conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional democrática”. Fontes relataram ao Sonar que, apesar de a decisão ter sido publicada em maio, ela só foi cumprida agora porque, inicialmente, o STF havia enviado apenas os nomes e CPFs dos investigados cujas contas deveriam ser suspensas. Entretanto, esses dados não eram suficientes para que as empresas fizessem a suspensão porque, muitas vezes, as contas não estão vinculadas a nomes e CPFs. Só depois que o STF enviou os nomes e endereços das contas é que as empresas puderam fazer a suspensão. O inquérito das fake news foi instaurado no ano passado pelo presidente da Corte, Dias Toffoli e, desde então, vem sendo relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. A investigação vem centrando suas atenções em um grupo de blogueiros e empresários bolsonaristas que vêm divulgando ofensas, ameaças e críticas a autoridades e integrantes da Corte.
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