Algumas redações de jornais e de revistas do país pretendem iniciar a partir de setembro a retomada do sistema presencial de trabalho, caso a pandemia de COVID-19 estiver em recuo sustentado. A novidade, após cerca de cinco meses nos quais quase todas as redações trabalharam em home office, é o surgimento de um modelo híbrido, entre presencial e remoto. A preparação para essa nova realidade do jornalismo brasileiro foi tema da reunião virtual do Fórum de Editores da ANJ e da ANER realizada nesta quarta-feira (5).
O número de dias em home office vai depender da função de cada profissional dentro da redação e de outras áreas. No caso dos repórteres, por exemplo, há um entendimento de que o sistema híbrido pode ser bastante vantajoso, permitindo momentos mais tranquilos para a organização de seus trabalhos. Em outros setores, como os parques gráficos, a necessidade presencial é maior. De qualquer forma, o retorno das redações seguirá regras locais de afastamento físico e a segurança da saúde de todos os funcionários, observando a legislação trabalhista brasileira.
A retomada seguirá ainda protocolos e princípios de bem-estar estabelecidos durante a pandemia – em alguns casos, isso envolve o trabalho de consultorias especializadas. As redações estudam ainda mudanças físicas nas suas sedes para garantir espaçamento entre as pessoas, cuidados necessários no uso de equipamentos coletivos, salas de reuniões arejadas etc.
Cuidados psicológicos
Jornais e revistas têm procurado garantir não apenas a proteção dos profissionais em relação ao coronavírus, mas também à saúde mental das pessoas. Reuniões individuais são feitas com frequência, para que os líderes das redações possam acompanhar as pessoalidades de seus comandados. Também são incentivados encontros virtuais coletivos de caráter informal, sem pautas e trabalho.
Em alguns casos, está em estudo a possibilidade de concessão de um período de folga para os colaboradores, de forma escalonada, que enfrentam no momento os desafios dos meses de confinamento. Muitas redações também fizeram parcerias com empresas especializadas e oferecem apoio psicológico no meio on-line.
A reunião desta quarta-feira abordou também o planejamento das coberturas eleitorais. Neste momento, está claro que serão muito enxutas, com o mínimo necessário. As viagens, por exemplo, mais comuns nos períodos eleitorais, serão muito limitadas uma vez que é difícil traçar estratégias logísticas em meio a diferentes estágios de afastamento social nos vários municípios do país. O aprofundamento do tema será feito no próximo encontro do fórum.