FOLHA DE S.PAULO, O ESTADO DE S.PAULO e O GLOBO
Depois das críticas que o secretário especial da Cultura, Mario Frias, dirigiu ao humorista Marcelo Adnet, a Secretaria de Comunicação do governo Bolsonaro afirmou no Twitter que “infelizmente, há quem prefira parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros”.
O perfil oficial do órgão escreveu, ao lado de uma foto de Adnet, mas sem mencionar seu nome, que não imaginava que a campanha lançada esta semana em celebração ao Dia da Independência “causaria reações maldosas, carregadas de desprezo por brasileiros simples, mas imensamente bondosos”.
O governo reage a uma paródia cômica que o humorista fez do vídeo que deu início à série “Um Povo Heroico”, publicado na noite de quinta. A peça é protagonizada por Frias, que fez carreira como ator da Globo, e louva em tom grandiloquente a história do país.
“Eu falo ‘a gente’ porque eu conheço a nossa gente”, diz o secretário da Cultura, “e são essas pessoas que não fogem à luta e habitam todos os rincões do nosso país.” Enquanto isso, o vídeo o mostra olhando fixamente para um busto da princesa Isabel.
“A verdade é que somos um povo heroico e encaramos com um brado retumbante o destino que nos encara”, diz, em outro momento, sob uma música épica.
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Mario Frias estrela série sobre história do Brasil
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Na série diária de humor que vem produzindo durante a quarentena, “Sinta-se em Casa”, Adnet parodiou o vídeo do secretário em meio a uma imitação do quadro “Arquivo Confidencial”, apresentado por Faustão.
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Em publicação na sua página do Instagram, Frias disse na noite de sexta que Adnet é um “garoto frouxo e sem futuro”, uma “criatura imunda”, “crápula” e “Judas”.
“Quem em sã consciência consegue conviver no mundo real com um idiota egoísta e fraco como esse? Onde eu cresci ele não durava um minuto. Bobão!”, arrematou Frias.
Mais tarde, no sábado, ao responder a uma crítica do deputado estadual Flavio Serafini, do PSOL do Rio de Janeiro, Frias fez referência à Polícia Federal.
“Cuidado com a PF…”, tuitou, após o deputado da oposição dizer que o secretário foi “nomeado porque nenhum artista quis queimar seu filme ao lado de Bolsonaro”.
O GLOBO
Secom usa Twitter para criticar Marcelo Adnet por paródia relacionada a Bolsonaro
05/09/2020 • 13:41
Adnet fez uma paródia do vídeo gravado por Mario Frias Adnet fez uma paródia do vídeo gravado por Mario Frias | Reprodução
A Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência criticou o humorista Marcelo Adnet por um vídeo no qual o artista faz uma paródia relacionada ao presidente Jair Bolsonaro e uma campanha lançada pela Secom para exaltar os “heróis brasileiros”. No canal institucional da Presidência no Twitter, a Secom escreveu que “há quem prefira parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros”.
Na quinta-feira, a Secom lançou uma campanha chamada “Um povo heróico” com a premissa de exaltar brasileiros que são “heróis anônimos” e também mencionar fatos sobre “heróis do passado”. A série contou com a atuação do secretário de cultura do governo, Mário Frias. No dia seguinte, um vídeo produzido pelo humorista Marcelo Adnet ironizou as relações do presidente Jair Bolsonaro com figuras como o advogado Frederick Wassef e o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. No mesmo vídeo, que parodiava o quadro “Arquivo Confidencial” do Domingão do Faustão, da TV Globo, Adnet ironizou a campanha estrelada por Mário Frias.
Diante desse contexto, a Secom fez uma série de oito publicações no Twitter para rebater o humorista, incluindo nas postagens uma foto de uma das cenas do vídeo feito por Adnet.
“Erramos. Acreditamos que seria possível unir todo o país em torno de bons valores e de bons exemplos. Afinal, ninguém é contra a bondade, o amor ao próximo, o sacrifício por inocentes, certo? Errado! Infelizmente, há quem prefira parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros”, escreveu o canal oficial da Presidência em alusão ao humorista.
Nas postagens, a Secom argumenta que planejou a série pensando em exaltar brasileiros comuns como o morador Francisco Erasmo, que morreu ao ajudar uma refém a se libertar de seu sequestrador na Praça da Sé, em São Paulo, em setembro de 2015. A Secom destaca a participação de Mário Frias e frisa que tudo foi ” feito em casa, sem custos adicionais, só com o amor e a competência de servidores dedicados”.
” De que adianta afetar bons sentimentos, falar em defesa do povo e coisas do tipo, mas na prática desprezar as pessoas reais, de carne e osso, que são exemplos para todos? De que adianta gritar que ama a humanidade, mas desprezar o ser humano?”, disparou o canal oficial da Presidência, acrescentando:
“Felizmente, estamos aqui falando de uma ínfima e desprezível minoria. Felizmente, a maioria reagiu com amor, emoção e gratidão.”
Na sexta-feira, o secretário de cultura, Mário Frias, também já havia se manifestado sobre o caso em uma publicação no seu Instagram. Na ocasião, chamou Adnet de “garoto frouxo e sem futuro”.