FOLHA DE S.PAULO
O prefeito de Jaboticabal, José Carlos Hori (Cidadania), 58, reagiu nesta quinta-feira (17) à reportagem da Folha que o tratou como ficha-suja. Hori prometeu ir à Justiça contra o jornal, segundo ele ‘leviano’ e ‘politiqueiro’ na forma em que abordou o cenário eleitoral do município no interior de São Paulo.
A reportagem apresentou um a um os candidatos a prefeito na eleição de novembro e informou que Hori, condenado administrativamente por uma obra ainda no primeiro de seus três mandatos, desistiu de concorrer à reeleição. Ele poderia ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa caso registrasse a candidatura.
As declarações do prefeito foram dadas em meio a uma live em suas redes sociais na qual o tema principal era o combate à pandemia do novo coronavírus.
Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal terá cobertura completa da Folha durante as eleições municipais deste ano.
Prefeito ficha-suja, uma campanha que promete ser parelha, problemas estruturais como falta de transporte coletivo e falta d’água, e a atuação restrita da imprensa profissional são alguns dos ingredientes que tornam interessante a cobertura jornalística nessa cidade de 77 mil habitantes, vizinha a Ribeirão Preto, a 342 km de São Paulo.
A disputa reunirá ex-integrantes do governo Hori, um candidato que tenta pela terceira vez chegar ao cargo, um postulante do PT (que governou a cidade em 3 de 4 mandatos possíveis entre o fim dos anos 1980 e o começo dos anos 2000) e até um integrante da família Bolsonaro.
Os candidatos, e a própria dinâmica local, serão acompanhados diariamente pelo jornal, assim como ocorre nas eleições em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Jaboticabal, ao contrário do que já ocorre em outras localidades menores, não tem uma TV (comunitária ou educativa) para a transmissão do horário eleitoral gratuito, o que faz com que a campanha seja diferente das disputas dos grandes centros.
Além dos ingredientes políticos colocados na disputa deste ano, Jaboticabal foi escolhida pela Folha por ser uma cidade com forte peso educacional, com quatro universidades ou centros universitários, e também se destacar economicamente na agricultura e nas indústrias de alimentação e cerâmica.
Terceira maior cidade da região administrativa de Ribeirão Preto, Jaboticabal teve forte imigração de italianos, espanhóis, japoneses e portugueses nas primeiras décadas do século passado. Eles desenvolveram a agricultura e transformaram a cidade em um polo regional de indústria, comércio, bancos e prestadores de serviço.
Nessa onda de desenvolvimento, surgiram indústrias alimentícias e cerâmicas, e a cidade passou a ser conhecida como Athenas Paulista, devido à sua influência educacional e cultural.