FOLHA DE S.PAULO 

Wálter Nunes

Dario Durigan, diretor de políticas públicas do aplicativo de mensagens, diz que modelo de parceria é inédita no mundo.

Em 2018, durante as eleições, o WhatsApp teve papel central na forma de se comunicar das candidaturas. Políticos contaram com o disparo de mensagens para turbinar suas campanhas. Candidatos com menos recursos apostaram no aplicativo para se tornarem conhecidos.

As eleições daquele ano, porém, terminaram com a constatação de que o WhatsApp foi campo fértil para a disseminação de notícias falsas e propagandas irregulares.

Ainda hoje há ações judiciais e até uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News apurando a atuação irregular de grupos políticos e empresas no âmbito do aplicativo de mensagens.

O WhatsApp tenta, agora, coibir com mais força a atuação irregular dentro da sua plataforma no país. Em janeiro, criou o cargo de diretor de políticas públicas para o Brasil, assumido pelo advogado Dario Durigan, 36.

Nos próximos dias, o aplicativo vai assinar em parceria com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um memorando de entendimento que criará dois canais oficiais do tribunal: um para informações aos eleitores e outro para denúncia de irregularidades.

“O WhatsApp vem oferecer o que há de mais robusto que é possível oferecer à autoridade eleitoral. Aqui há um caráter de ineditismo, no mundo, dessa parceria do WhatsApp com uma autoridade eleitoral de cúpula”, diz Durigan em entrevista à Folha.

Haverá também a produção de stickers, popularmente conhecidos como figurinhas, com informações sobre as eleições e estimulando causas como a participação de jovens e mulheres.

O aplicativo de mensagens, segundo Durigan, investiu em ações contra disparos em massa e disseminação de fake news.

As conversas pelos aplicativos de mensagens não acontecem só por textos, mas muitas das informações se disseminam com força a partir de memes, figurinhas, montagens. Há algo sendo feito em relação a isso? Haverá um pacote de stickers [figurinhas] com informações sobre votação, voto consciente, sobre coisas da pandemia.

Os stickers são produzidos para ser um material ilustrativo, colorido, interessante, e eles vão tratar aqui de informações básicas sobre a eleição, a importância das mulheres e dos jovens na eleição, o voto consciente, medidas sanitárias, algumas informações importantes que o TSE quer levar aos eleitores, como o uso obrigatório de máscara no dia da votação, respeito da distância entre as pessoas que devem votar.

Como detectar comportamentos como disparo em massa e disseminação de fake news sem invadir a privacidade do usuário? Tem um sistema que detecta contas com comportamento abusivo. Esse sistema bane, para você ter uma ideia, mais de 2 milhões de contas por mês no mundo todo.

No Brasil, no último período eleitoral, foram banidas mais de 400 mil contas por detecção da plataforma. Essa plataforma identifica coisas como redes suspeitas criando contas de WhatsApp de maneira automatizada.

Esse sistema deve ser visto como um sistema imunológico de proteção do WhatsApp. Ele aprende com as experiências. No WhatsApp, 9 entre 10 mensagens são entre duas pessoas. Quando se olha para o cenário de grupos, no Brasil, a maioria tem até sete pessoas. O que revela esse caráter privado, pessoal, familiar e do trabalho.

Então, a criação de grupo de maneira automatizada, uma conta que vira administradora e vai criando grupos, inserindo pessoas de maneira automatizada, é banida do WhatsApp.

Uma conta que só envia mensagens e não recebe mensagens é banida. Uma conta que manda mensagem para contato que não tem esse número reciprocamente na agenda de contato é banida. Tudo isso vai sendo aprendido pelo sistema e gerando banimento de conta.

O WhatsApp incentiva os usuários a fazer feedback negativo de contatos indesejados, contas que compartilham fake news. Com algumas denúncias essas contas também caem.

De maneira nenhuma há risco para a privacidade do usuário. Uma característica central do WhatsApp é a criptografia de ponta a ponta. Somente quem manda e somente quem recebe uma mensagem é quem tem acesso ao conteúdo criptografado. O WhatsApp não faz moderação de conteúdo.

RAIO-X
Dario Durigan, 36
Formado em direito pela USP e mestre pela UnB (Universidade de Brasília), integrou a AGU (Advocacia-Geral da União) de 2009 a 2019. Desde janeiro deste ano é diretor de Políticas Públicas para o WhatsApp no Facebook Brasil