O GLOBO
Segundo levantamento, solução proposta por gigante para dar mais espaço a concorrentes em serviços de comparação de preços só fez crescer seu próprio domínio no setor.
O Google não parou de aumentar seu poder de mercado nos últimos três anos, mesmo depois que as autoridades antitruste da União Europeia ordenaram que a gigante das buscas parasse de favorecer seu próprio serviço de comparação de preços, mostrou nesta segunda-feira um estudo que abordou 25 de seus concorrentes.
Multado em 2,4 bilhões de euros (US$ 2,8 bilhões) há três anos pela Comissão Europeia pela prática anticompetitiva, o Google se ofereceu para permitir que concorrentes licitassem espaço publicitário no topo de uma página de resultados de busca para canalizar o tráfego para seus sites.
As empresas concorrentes, entretanto, disseram que a proposta foi ineficaz e, desde então, instaram a chefe antitruste da UE, Margrethe Vestager, a sancionar o Google por não cumprir sua decisão.
O mais recente estudo da consultoria Lademann & Associates cobriu os serviços de comparação de preços como o Idealo, o da empresa britânica Kelkoo, o da francesa LeGuide e outros em 21 países europeus.
– A proposta do Gooogle fortaleceu ainda mais a posição dele nos serviços de comparação de preços nos mercados nacionais e consolidou seu domínio nas buscas em geral – disse Thomas Hoppner, autor do estudo e conselheiro de vários rivais do Google. – [E isso ocorreu] não porque a Comissão Europeia impôs o remédio errado. É porque o mecanismo de conformidade escolhido pelo Google não cumpre a solução imposta.
Hoppner instou a Comissão para forçar o Google a apresentar uma solução mais eficaz ou alertar a empresa por violar seu pedido.
A Comissão disse que está monitorando o mercado para avaliar a eficácia da proposta do Google.
O Google, por sua vez, afirmou que os números do estudo ignoram os fatos e o raciocínio da Comissão em sua decisão.
– O remédio funcionou com sucesso por três anos, gerando bilhões de cliques para mais de 600 serviços de comparação de preços, e está sujeito a monitoramento intensivo – disse uma porta-voz.