O Brasil registrou, em 2025, 900 mil ataques contra jornalistas e veículos de informação, o equivalente a quase 2,5 mil agressões por dia (2.465) ou cerca de duas por minuto (1,7), um crescimento de 35% em relação ao período anterior. Já os registros de censura cresceram 57% em relação a 2024. Políticos ou ocupantes de cargos públicos foram os principais autores da violação ao direito de informar. As informações constam no Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão 2025 da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), divulgado nesta terça-feira (7), em Brasília.

Segundo o estudo, pelo menos nove jornalistas de veículos como jornais, sites e emissoras de televisão foram impedidos de realizar coberturas políticas, esportivas e focadas em assuntos regionais em 2025, um aumento de 55% se comparado ao período anterior. Mas o número, diz o levantamento, pode estar subdimensionado. Ao todo, foram registrados sete casos de censura nas regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste do país, aumento de quase 57,2% em relação ao último levantamento da ABERT. Apenas no Sul não houve ocorrências do tipo.

O relatório indica que, de acordo com levantamento da Bites – empresa de análise de dados para decisões estratégicas, o crescimento de 35% de ataques virtuais a jornalistas e veículos em relação ao período anterior aconteceu após quedas sucessivas desde 2019 – ano em que chegaram a 3,2 milhões de menções. Os termos “lixo”, “podre”, “velha”, “canalha” e “golpista” voltaram a ser associados à mídia, aos jornalistas e ao jornalismo. Em parte, esse novo pico originou-se diretamente de publicações de perfis inconformados com a condenação dos participantes das ações em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.

IA para minar a credibilidade jornalística

A novidade do levantamento deste ano é o uso de serviços de inteligência artificial (IAs) na construção de uma percepção negativa sobre o papel da mídia profissional. A Bites analisou o padrão de perguntas feitas ao longo do ano passado em quatro IAs (ChatGPT, Claude, Gemini e Grok) para entender o que os críticos do trabalho da imprensa gostariam de saber dessa nova fonte de informação. Esses serviços recebem 332 milhões de visitas por mês no Brasil; o ChatGPT é o maior de todos, com 266 milhões de acessos mensais.

Quando são feitas perguntas nessas plataformas sobre a mídia brasileira em geral, o questionamento mais comum refere-se ao posicionamento ideológico dos veículos de comunicação: “A imprensa brasileira tem lado?” é a dúvida mais recorrente às IAs. Também surgem abordagens associadas a essa tendência, envolvendo a decisão da mídia em enfatizar determinado assunto em detrimento de outro que seria do interesse dos usuários das plataformas de IA.

0 estudo da ABERT registrou 66 casos de violência não letal, envolvendo pelo menos 80 jornalistas e veículos de comunicação. Apesar da redução de 9,1% no número de casos e de 5% no total de profissionais vítimas dos ataques, os dados apontam que a cada cinco dias a imprensa brasileira sofreu algum tipo de violência.

Os dados foram apresentados pelo presidente-executivo da associação, Cristiano Lobato Flôres. “O Relatório da ABERT oferece uma oportunidade de reflexão sobre a relevância da liberdade de imprensa, pilar essencial das sociedades democráticas fortes e consolidadas, e o papel inegociável do jornalismo profissional de ética e responsabilidade social. Apesar da redução no número de casos e de vítimas envolvidas, a imprensa continua sendo foco da intolerância ao contraditório, com ataques verbais, campanhas de ódio e assédio a jornalistas”, afirmou Lobato Flôres.

O Relatório da ABERT pode ser acessado AQUI.