O GLOBO – 13/03/2020

Naíra Trindade e Gustavo Maia

O presidente Jair Bolsonaro fez exames nesta quinta-feira para identificar se também foi infectado pelo coronavírus. O teste foi uma recomendação médica feita após o secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngaren, ser diagnosticado com a doença.

Além de Bolsonaro, todos os membros da comitiva presidencial também foram submetidos a testes. Viajaram com Bolsonaro a primeira dama Michelle Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e quatro ministros: Ernesto Araújo, das Relações Exteriores; Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; Fernando Azevedo e Silva, da Defesa e Bento Albuquerque, de Minas e Energia.

O exame que dirá se o presidente foi ou não infectado sai na sexta-feira. Enquanto isso, Bolsonaro foi orientado a permanecer no Palácio do Alvorada, residência oficial em Brasília. Segundo um dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o pai não apresenta sintomas da doença.

O resultado do primeiro teste que Wajngarten fez na quarta-feira no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, confirmou que o secretário de Comunicação da Presidência contraiu a doença. No momento, ele está em isolamento e aguarda a contraprova.

Por volta das 15h45, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, disse no Twitter que o pai fez teste para coronavírus e aguarda o resultado, mas “não tem sintomas da doença”. O parlamentar, que integrou a comitiva presidencial que esteve nos Estados Unidos, chegou ao Palácio do Alvorada por volta das 13h20. Ele também informou faria o exame, apesar de estar assintomático.

Wajngarten avisou ao presidente Jair Bolsonaro e a ministros que foi infectado com o novo vírus, depois de integrar a comitiva que esteve nos Estados Unidos, do último sábado até a terça. O governo brasileiro já comunicou o caso às autoridades dos Estados Unidos.

Depois de retornar a Brasília, o secretário de Comunicação foi para São Paulo. No momento, ele está em quarentena domiciliar e só retornará ao seu trabalho quando não houver risco de transmissão da doença.

Mais cedo, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse que teria uma reunião com os responsáveis pela saúde de Bolsonaro e a equipe da Presidência da República.

— Com a confirmação do Fábio, medidas vão ser tomadas. Medidas vão ser esclarecidas em reunião que teremos após esta entrevista coletiva — disse.
Bolsonaro cancela viagem

Nesta quinta, Bolsonaro iria para Mossoró (RN), mas cancelou a viagem. Segundo o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, o adiamento ocorreu “em função de razões de segurança sanitária”, por causa da decretação de pandemia mundial do coronavírus pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo Marinho, a situação obriga a ter “uma maior segurança com a figura do presidente da República e com as pessoas que estão no seu entorno”.

Ele também afirmou que Bolsonaro precisará cuidar do que chamou de “problemas” na votação do Orçamento e de vetos analisados pelo Congresso, sem mencionar que um deles foi derrubado pelos parlamentares e provocou um impacto de R$ 20 bilhões.