O GLOBO – 13/04/2020
SÉRGIO MATSUURA
O projeto tem duas etapas. A primeira, prevista para entrar em operação já no mês que vem, consiste na liberação de ferramentas para que autoridades de saúde pública incorporem em seus próprios aplicativos a nova tecnologia das empresas.
Para isso, Apple e Google vão liberar APIs (sigla em inglês para Interface de Programação de Aplicativos) que permitam que iOS e Android “conversem” entre si. A ideia é que agências governamentais de saúde desenvolvam aplicativos próprios e usem as APIs.
As pessoas que instalarem esses aplicativos em seus celulares poderão ser alertadas caso tenham estado perto de alguém contaminado, desde que este também tenha o app em seu smartphone e tenha comunicado sua contaminação à plataforma.
USO DO BLUETOOTH
Esse método ajuda no rastreio de contatos, uma das ferramentas usadas com sucesso em países que atenuaram a contaminação, como a Coreia do Sul. Mas ele tem a limitação do alcance dos aplicativos criados pelos governos. Por isso, para uma segunda etapa, Google e Apple planejam lançar uma plataforma de rastreamento baseada na tecnologia Bluetooth, que será incluída diretamente em seus sistemas operacionais. A tecnologia Bluetooth tem a vantagem de estar presente em todos os aparelhos, sem necessidade de Wi-Fi ou conexão com a internet. E sua ativação tem baixo consumo de energia, minimizando os impactos no uso cotidiano dos aparelhos. “Esta solução é mais robusta que uma API e permitirá que mais indivíduos participem”, disseram as companhias em nota, acrescentando que as pessoas deverão “escolher” se querem ou não participar, assim como “permitir interação comumecossistemamaisamplo de aplicativos e autoridadesgovernamentaisdesaúde.” Pelo modelo com Bluetooth, quando duas pessoas se aproximam, seja numa conversa ou no transporte público, os smartphones trocam identificadores anônimos, quemudamconstantemente. Se uma delas for diagnosticada com coronavírus e comunicar isso ao sistema, todos os aparelhos com os quais teve contato serão notificados. Mas, devido ao potencial de cruzar os dados de localização e saúde de 3 bilhões de aparelhos, o projeto de Google
e Apple atrairá críticas referentes ao potencial de violação de privacidade. As empresas ressaltaram que as APIs e a plataforma garantirão a privacidade. Será exigido consentimento para participar, e os dados de localização não serão coletados. Nos alertas, os usuários não saberão quem testou positivo, nem onde ou quando o contato aconteceu.