O ESTADO DE S.PAULO – 16/08/2020
Travis M. Andrews
A pandemia do novo coronavírus se tornou um dos maiores desafios da história da Wikipédia, a enciclopédia colaborativa. Afinal, como é registrar um evento gigantesco em tempo real, com as informações mudando constantemente e a desinformação se propagando?
No fim de julho, de acordo com uma porta-voz da Wikipédia, mais de 67 mil editores colaboraram para criar mais de 5 mil artigos em 175 línguas diferentes sobre a covid-19.
Os editores frequentes assumem duas funções importantes. A primeira é realmente redigir ou editar uma página específica. A segunda é uma espécie de organização da comunidade.
Os editores se consultam para criar ou expandir artigos sobre determinados temas.
Os impactos da pandemia se estenderam para além da medicina, abrangendo todos os aspectos, desde “direitos humanos” a “política nacional”. À medida que a principal página ficou supersaturada, os editores criaram páginas para vários países, depois Estados. Todas essas páginas podem ser nocivas se não forem precisas.
Jevin West, professor na Universidade de Washington, diz que a enciclopédia tem abordado a questão do vírus excepcionalmente bem”. Ele citou também a transparência da enciclopédia. Algumas fontes desacreditadas não são autorizadas e toda a história de edição do website está disponível para o usuário. Todos os fatos são baseados em fontes e “esse nível de transparência oferece confiança”, disse ele.
Com tantos editores monitorando constantemente a montanha de informações, a desinformação tende a ser extirpada.
West acredita que o mundo pode se beneficiar da filosofia defendida pelos editores. “Talvez mais pessoas venham a aderir a esse comportamento ético. Pode ser um dos antídotos contra a desinformação”, diz.