O GLOBO – 08/08/2020

Na China, o aplicativo WeChat faz mais do que qualquer aplicativo deveria fazer. As pessoas o usam para conversar, fazer compras, compartilhar fotos, pagar contas, receber notícias e enviar dinheiro.

Com grande parte da internet chinesa trancada atrás de uma parede de filtros e censores, o aplicativo também é uma das poucas pontes digitais que conectam a China ao resto do mundo. É assim que os estudantes de intercâmbio conversam com suas famílias, os imigrantes acompanham parentes e boa parte da diáspora chinesa troca memes, fofocas e vídeos.

Agora, essa ponte está ameaçando desmoronar.

Na noite de quinta-feira, o governo Trump emitiu uma ordem executiva que pode retirar o aplicativo mais importante da China das lojas da Apple e do Google em todo o mundo e impedir que as empresas americanas façam negócios com sua empresa controladora, a Tencent.

Se for realmente cumprida quando entrar em vigor em 45 dias, a ordem terá como alvo o produto de internet mais inovador da China, que 1,2 bilhão de pessoas usam todos os meses.

Uma proibição efetiva do aplicativo nos Estados Unidos encerraria milhões de conversas entre investidores, parceiros de negócios, familiares e amigos.