O ESTADO DE S.PAULO – 10/06/2020
Jussara Soares, Mateus Vargas
Antes de o empresário Carlos Wizard desistir de assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde no domingo, o presidente Jair Bolsonaro havia solicitado a “seu sistema de informação particular” que averiguasse a vida do bilionário.
O chefe do Executivo não chegou a vetar a nomeação do empresário, mas ficou irritado com a sequência de entrevistas de Wizard à imprensa e principalmente com a suposta ligação dele com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu adversário político.
No dia 13 de abril, o empresário elogiou as ações de Doria no enfrentamento à pandemia do coronavírus. “O Brasil precisa de um gestor como o governador de São Paulo, João Doria”, escreveu. O empresário chegou a se filiar ao PSDB a pedido de Doria, mas depois se desligou.
Como mostrou o Estadão,o sistema de inteligência particular do presidente tem policiais, agentes dos serviços de inteligência e aliados. Ainda de madrugada, Bolsonaro costuma selecionar informações recebidas no WhatsApp entre aquelas que precisam ser “checadas” por seus assessores ou “cobradas” às respectivas áreas. O caso Wizard entrou na lista de prioridades de checagem.
Outro motivo que colocou Wizard na berlinda foi a sequência de entrevistas. Ao jornal O Globo, na sexta-feira passada, afirmou que os dados de mortos eram “fantasiosos” e que governos estaduais e municipais estariam “inflando” os números para receber mais recursos do governo federal. Na nota em que anunciou sua desistência, o empresário lamentou suas próprias declarações.
Procurado, Carlos Wizard não quis comentar sobre o pedido de averiguação feito pelo presidente Bolsonaro nem sobre suas relações com Doria. O governador de São Paulo não retornou ao contato da reportagem.