O ESTADO DE S.PAULO – 04/01/2020

Manoel Lemos

Quem diria que no auge da era da informação, com mais de 4 bilhões de pessoas conectadas à internet, estaríamos vivendo uma crise informacional tão grande. Por um lado a internet e suas aplicações permitem que pessoas no mundo todo tenham acesso a uma vastidão de conteúdo nunca imaginada. Por outro, a rede também permite que todos nós possamos criar e distribuir conteúdos por meio da rede.


Para deixar tudo mais interessante os smartphones e a conectividade presente em todos os lugares trouxeram o imediatismo para a maneira como nos comunicamos e recebemos informações.

Era para dar tudo certo, conhecimento sem restrição disponível para todos, todas as vozes com espaço para dizer o que pensam e tudo na ponta dos dedos em tempo real. Porém, o que temos visto é uma realidade um pouco diferente. Somos bombardeados por memes, mensagens e notícias o tempo todo e vivemos no pouco espaço de tempo que resta entre uma notificação e outra.

Neste frenesi imediatista, o que era pra ser uma era de conhecimento como nunca acabou dando espaço para a superficialidade, para as bolhas e para as fake news.

É neste contexto onde passamos a acreditar que informações viraram commodities sem diferenciação ou valor que precisamos tanto de jornalismo de verdade. Precisamos que ele continue existindo e trazendo para nós os fatos relevantes para que possamos nos informar e tomar nossas decisões.

Independentemente de concordarmos com eles ou não, são os fatos que permitem que a democracia aconteça. Precisamos que o que acontece e não é visível para todos seja analisado e reportado.

Mas não é só do jornalismo a responsabilidade. Precisamos, mais do que nunca, enxergar além dos memes engraçados, das manchetes que reforçam nossas crenças e das fake news que chegam a todo momento.

Temos de entender que se perdermos nossa capacidade de questionar as informações que chegam até nós e pararmos de buscar pelos detalhes, pelos fatos e pela verdade, ficaremos à mercê dos algoritmos, dos criadores de notícias falsas e de nossa própria ignorância.

E mais: de olhos abertos e com a mente atenta, precisamos inverter o atual ciclo de propagação de informações irrelevantes ou falsas. É fundamental que deixemos de ser parte do problema e passemos a ser parte da solução valorizando o trabalho jornalístico bem feito e as informações de qualidade.

É hora de entendermos que matérias bem escritas, frutos de horas de pesquisa e edição, não são simples commodities e merecem a nossa atenção. É COLUNISTA DO I E MEMBRO DO COMITÊ DIGITAL DO GRUPO ESTADO