O ESTADO DE S.PAULO – 19/02/2020
Camila Turtelli
O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) criticou ontem parlamentares mulheres que fizeram uma nota de repúdio ao presidente Jair Bolsonaro pelas ofensas à jornalista Patricia Campos Mello, repórter do jornal Folha de S.Paulo. O discurso do deputado na tribuna da Câmara causou tumulto.
“Esse tipo de discurso também revolta. A deputada diz que fala em nome das mulheres. Calma aí. Será que não tem mulher aqui comigo não? Uma banana, em nome das mulheres. Uma banana! Quero saber onde elas estavam quando o Lula falou em mulheres de grelo duro”, questionou Eduardo, acompanhado de deputados e deputadas do PSL.
A frase foi uma referência a uma conversa grampeada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Paulo Vannucchi, em 2016. Na ocasião, Lula disse a Vannucchi que estava chamando as petistas Fátima Bezerra e Maria do Rosário para acompanhar de perto Douglas Kirchner, um dos procuradores que o investigavam. No diálogo, ele se referiu às feministas do partido de forma grosseira. “Cadê as mulheres do grelo duro do nosso partido?”, perguntou o petista.
Na noite de ontem, minutos antes de Eduardo Bolsonaro provocar a polêmica, a líder do PSOL, Fernanda Melchiona (RS), tinha lido uma nota na tribuna da Casa. Ao lado de outras deputadas da oposição, ela afirmou que falava em nome das mulheres “desrespeitadas por um presidente machista que ataca a liberdade de imprensa e desrespeita o conjunto das mulheres brasileiras”.
“Onde vocês estavam? Estavam perdendo dinheiro enquanto isso. Estavam roubando”, disse Eduardo, em seguida, se dirigindo à presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR). Enquanto ele falava, começou um tumulto no plenário com vaias de um lado e gritos de apoio a ele, de outro.
“Isso daqui não passa de discurso político, isso aqui é a imposição do politicamente correto para tentar calar a boca do presidente Jair Bolsonaro”, gritou Eduardo. “Eu quero saber qual outro presidente machista deixou sua mulher discursar na posse? A mulher do Lula só serviu para levar a culpa da roubalheira”, continuou ele.
A oposição o chamou de “fascista”. O filho do presidente respondeu. “Nós somos os revoltados que até ontem não tínhamos espaço aqui. Agora, vocês vão ter de nos engolir. Aqui ninguém se dobra ao politicamente correto, não”, declarou.