FOLHA DE S.PAULO
Dois últimos correspondentes da Austrália deixam o país; apresentadora é acusada de ameaça à segurança nacional.
A deterioração das relações entre China e Austrália ganhou um novo capítulo depois que dois jornalistas australianos, os últimos correspondentes do país em território chinês, decidiram fugir por questões de segurança, antes que fossem presos.
Bill Birtles, da Australian Broadcasting Corporation (ABC), e Michael Smith, da Australian Financial Review (AFR), trabalhavam em Xangai e Pequim e deixaram a China na madrugada desta terça-feira (8).
Segundo Smith, sete policiais chineses entraram em sua casa na semana passada e o cercaram enquanto liam uma declaração que o designava como parte envolvida em uma investigação de segurança nacional.
“Eles colocaram um holofote no meu rosto. Foi intimidador, eu estava ficando com muito medo”, contou Smith à agência de notícias Reuters.
“Estávamos preocupados que fosse um movimento coordenado. Isso indica que era político. Éramos os únicos dois jornalistas que restaram na China trabalhando para a mídia australiana”, acrescentou, referindo-se a Birtles, para quem a ação pareceu “muito, muito política”.
Em fevereiro, a China revogou as credenciais de imprensa de três jornalistas do Wall Street Journal depois de o jornal se recusar a pedir desculpas por uma coluna de opinião que chamava a China de “o verdadeiro louco da Ásia”.
Os jornalistas eram os americanos Josh Chin e Chao Deng e o australiano Philip Wen. A decisão de Pequim veio depois de Washington dizer que começaria a tratar cinco entidades de mídia estatais chinesas com operações nos EUA da mesma forma que trata as embaixadas estrangeiras.
Em março, Pequim também retirou as credenciais de cerca de uma dúzia de jornalistas do New York Times, do Wall Street Journal e do Washington Post.
As expulsões se seguiram à iniciativa de Washington de reduzir de 160 para 100 o número de jornalistas autorizados a trabalhar nos EUA em quatro veículos da mídia estatal chinesa.
Nesta segunda, a China não renovou credenciais de imprensa expiradas de profissionais de veículos americanos como The Wall Street Journal, Bloomberg e CNN. Os jornalistas receberam cartas que lhes dão autorização para trabalhar por mais dois meses com os documentos expirados.
A decisão foi vista como mais uma resposta de Pequim aos EUA, onde jornalistas chineses aguardam a renovação de seus vistos de trabalho e foram autorizados a permanecer em solo americano até o início de novembro.
Nesta terça-feira, a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, fez um discurso anti-China durante um fórum de segurança com a participação de países asiáticos e do Pacífico.
Sem mencionar diretamente o regime liderado por Xi Jinping, que considera Taiwan uma província rebelde, ela pediu que países democráticos se unam para combater o expansionismo regional da China e suas “ações agressivas unilaterais”.
“Esta aliança garantirá os valores que mais prezamos: liberdade, segurança, direitos humanos e democracia.”