A Associação Nacional de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) lamentaram e cobraram das autoridades do Paraguai e do Brasil o rápido esclarecimento sobre o assassinato do jornalista paraguaio naturalizado brasileiro Léo Veras, executado na noite de quarta-feira (12) em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
“Os assassinatos de comunicadores têm por objetivo intimidar o livre exercício do jornalismo e impedir o direito dos cidadãos de serem plenamente informados”, afirmam as entidades no comunicado. “A apuração criteriosa e rápida da morte de Léo Veras, assim como dos demais homicídios de jornalistas, é fundamental para combater a impunidade, principal causa da continuidade desse tipo de crime”.
De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, o jornalista foi executado com 12 tiros de pistola 9 milímetros. Atingido na cabeça, Veras chegou a ser socorrido e levado a um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu. No momento da ação dos criminosos, Veras jantava com a família no quintal de sua casa. Por volta das 21 horas, segundo o G1, dois pistoleiros encapuzados chegaram em uma caminhonete branca, entraram pelo portão que estava aberto e invadiram o local.
A polícia não confirma se o crime tem relação com o tráfico. Mas de acordo com o jornal paraguaio ABC Color, Ignacio Rodríguez Villalba, chefe da polícia do departamento de Amambay, cuja capital é Pedro Juan Caballero, disse que o crime foi possivelmente cometido em represália às publicações de Veras no site de sua propriedade, Porã News, especializado em notícias policiais, editado em português e espanhol (veja nestes links dois dos textos publicados no portal: https://poranews.com/?p=47511 e https://poranews.com/?p=47406).
Segundo Villalba, as autoridades já possuem informações sobre os suspeitos pelo crime. “Segundo certas informações, (o crime foi causado por) publicações que ele fez sobre o crime organizado. Nos últimos tempos, ele fez muitas publicações na fronteira”, disse Rodríguez.
O Ministério Público do Paraguai investiga o caso. O promotor paraguaio responsável pelo caso, Marco Amarilla, informou ao G1 que o jornalista vinha sofrendo ameaças e temia por sua vida.
O secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, confirmou que a vítima já havia recebido ameaças por criticar ações de narcotraficantes na região, principalmente do Primeiro Comando da Capital (PCC). “Ele era contundente em críticas à ação do narcotráfico na região da fronteira e vinha recebendo ameaças”, disse. “Recentemente foi entrevistado em reportagem de alcance nacional denunciando as facções que agem na fronteira, especialmente o PCC. Por conta disso, sua relação com as autoridades e forças policiais era muito boa, mas certamente desagradava o crime.”
No mês passado, Veras noticiou com destaque a fuga de presos do PCC em Pedro Juan Caballero e acompanhou a caçada aos fugitivos pelas polícias dos dois países (leia aqui: https://poranews.com/?p=47383). Um amigo de Veras que não quis se identificar informou ao G1 que se encontrou há 20 dias com o jornalista e ele relatou sobre as ameaças de morte que vinha sofrendo. “Nesses últimos dias, as ameaças eram constantes. Ele afirmou que as ameaças eram por matérias referentes ao tráfico de drogas e também relacionadas a autoridades policiais paraguaias”.
O Sindicato dos Jornalistas em Mato Grosso do Sul também divulgou nota lamentando a execução do jornalista.
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https://veja.abril.com.br/mundo/jornalista-brasileiro-e-assassinado-na-fronteira-com-o-paraguai/