O ESTADO DE S.PAULO – 04/04/2020

Guilherme Sobota

Uma pesquisa elaborada pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), entidade que representa produtoras e promotoras no Brasil e tem 200 associados, indica uma estimativa de demissões de 30% dos colaboradores diretos do setor de eventos, cerca de 580 mil pessoas. O impacto estimado na economia nacional com o cancelamento de eventos por causa do crise do novo coronavírus é de R$ 90 bilhões, considerando 60 mil empresas estimadas pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) e pelo Sebrae.


Por indústria nacional do setor, as entidades entendem a cadeia produtiva do setor de eventos, tanto as empresas organizadoras quanto as empresas prestadoras de serviços especializados para eventos.

De acordo com o estudo da Abrape, 51,9% dos eventos programados para 2020 foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta. Outro dado: 92% das empresas já sentem o impacto e somam perdas que podem chegar a R$ 290 milhões, considerando-se apenas o universo das empresas associadas, ou cerca de R$ 90 bilhões sobre o mercado nacional.

Os associados da Abrape empregam em torno de 211 mil profissionais diretos. Cada uma dessas ocupações formais gera outros 32 postos de trabalho indiretos para artistas, freelancers e microempreendedores individuais (MEI). Segundo a associação, 61% dos produtores não têm condições de manter o quadro atual de colaboradores.

“Estamos falando de aproximadamente 300 mil eventos que deixarão de acontecer e milhares de empresas que terão prejuízos financeiros”, disse, em nota, o presidente da Abrape, Doreni Caramori.

Uma das pautas mais importantes da Abrape para o enfrentamento da crise é a possibilidade de isenção fiscal de impostos a partir da retomada dos trabalhos. “Já está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 676/20, que busca, justamente, alíquota zero para as atividades de aviação, turismo e entretenimento por 12 meses”, explica Caramori. O projeto, de autoria do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), prevê a isenção de PIS/Cofins; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto sobre Serviços (ISS).

Além de sensibilizar os consumidores sobre a importância da não devolução dos valores de ingressos comprados, a Abrape também trabalha pela regulamentação de regime temporário extraordinário simplificado para a suspensão de trabalho por falta de recursos financeiros (lay off) às empresas que apresentem uma queda de receita igual ou maior do que 30%, explica o comunicado da entidade.

A associação também está pleiteando carência de 180 dias para os tributos que estão sendo pagos (ou parcelados) oriundos de acordos pregressos. E a criação, junto ao sistema financeiro oficial, de linhas de créditos para concessão de capital de giro, com prazo dilatado e condições subsidiadas, como forma de suprir o fluxo de caixa necessário aos cancelamentos/transferências de eventos. Diferentemente de outros mercados atingidos pela crise, a associação explica que o do entretenimento vive de capital de giro, teve as receitas reduzidas a zero, foi o primeiro a parar de operar e, “certamente”, será o último nas prioridades de liberação após a quarentena.