O ESTADO DE S.PAULO – 11/07/2020

O Facebook está considerando banir anúncios de caráter políticos da rede social antes das eleições presidenciais dos EUA, em novembro deste ano. Segundo a agência de notícias Bloomberg, que antecipou a notícia ontem, existem conversas internas na empresa para proibir este tipo de anúncio, mas nada pode ser considerado concreto, já que o próprio líder do Facebook, Mark Zuckerberg, se mostrou pouco disposto a interferir em questões políticas na rede no passado.


Ainda, segundo a Bloomberg, a proibição dos anúncios poderia se dar de forma estratégica pelo Facebook, retirando as publicidades alguns dias antes das eleições ou apenas por um período determinado.

A postura de Zuckerberg, que não deseja ser “árbitro da verdade”, em suas próprias palavras, foi criticada. A empresa também tem sido alvo de ataques por não se posicionar contra as publicações políticas que possam conter fake news ou outras informações prejudiciais ao eleitor, em especial, conteúdos relacionados ao atual presidente americano, Donald Trump. É um dos temas que levou ao presente boicote de marcas ao Facebook, que conta com 900 participantes, incluindo nomes como Unilever e Coca-cola.

Alex Stamos, ex-chefe de segurança do Facebook e professor da Universidade de Stanford, criticou a ideia de banir anúncios políticos no Facebook. Segundo ele, em comentário no Twitter, “os anúncios políticos são apenas uma pequena parte da receita do Facebook” e “a proibição de anúncios políticos beneficia apenas aqueles com dinheiro, competência ou capacidade de obter cobertura da mídia”.

Outras redes têm posições diferentes: o Twitter, por exemplo, baniu no ano passado as propagandas políticas na rede social, afirmando que os conteúdos podiam trazer riscos aos eleitores, uma vez que poderiam influenciar os votos dos americanos.