O ESTADO DE S.PAULO – 28/05/2020
Era para o Facebook nos unir, mas ele nos separou. Uma reportagem do jornal americano Wall Street Journal publicada nesta semana mostrou que estudos internos da companhia concluíram que o seu algoritmo de distribuição de conteúdo contribuíram para a polarização e segregação das pessoas. Pior: segundo a reportagem, o comando da companhia ignorou o alerta por considerar que mudanças poderiam reduzir o engajamento dos usuários, o que posteriormente resultaria em perdas comerciais.
“Nossos algoritmos exploram a atração do cérebro humano por divisão”, diz um dos documentos obtidos pelo jornal. Junto dele, havia um alerta de que o sistema continuaria a servir conteúdo com potencial de criar segregação se nada fosse feito, pois isso aumentaria o uso e tempo gasto na plataforma. Um outro documento de 2016 mostrou que 64% das pessoas que entraram para algum grupo extremista no Facebook fizeram isso por conta do algoritmo da empresa.
Segundo a publicação, um dos principais responsáveis por minimizar os danos do algoritmo seria Joel Kaplan, vice-presidente política pública global. Ele é acusado por críticos de manter a agenda conservadora dentro da plataforma. Ele seria, por exemplo, o responsável pela postura da empresa de permitir que políticos façam propagandas enganosas na rede social.
Após a publicação da reportagem, o Facebook se manifestou: “Aprendemos muito desde 2016 e não somos a mesma companhia atualmente. Criamos uma equipe robusta de integridade, reforçamos nossas políticas e práticas para limitar conteúdo danoso, e usamos pesquisa para entender o impacto da nossa plataforma na sociedade para continuarmos a melhorar. Apenas em fevereiro US$ 2 milhões em financiamento para apoiar propostas de pesquisa sobre polarização”.