O GLOBO
Bloomberg
Anunciantes do Facebook podem estar gastando até 20% de seu orçamento com publicidade em anúncios vistos apenas por robôs de software (bots), ou seja, via cliques falsos na gigante das mídias sociais. É o que calculou um estudo feito feito pela consultoria de web analytics Method Media Intelligence (MMI).
Segundo o estudo, o Facebook dispõe de tecnologia para bloquear os bots e impedi-los de visualizar e clicar em anúncios, mas a empresa de Mark Zuckerberg não está fazendo o suficiente para coibir a prática fraudulenta.
As fraudes em anúncios têm atormentado empresas que pagam plataformas online, incluindo Facebook, Google, Yahoo e Bing (da Microsoft) por visualizações, cliques, curtidas e instalações de aplicativos.
Navegadores controlados por robôs, ou bots, se tornaram mais sofisticados ao imitar atividades humanas, como clicar em anúncios, abrir páginas da web, baixar aplicativos e preencher formulários. Isso está fazendo com que os anunciantes paguem mais por atividades falsas, disse a MMI em seu relatório.
O Facebook cobra dos anunciantes por visualizações e cliques em anúncios. Uma investigação da MMI revelou que o Facebook torna mais fácil para os bots fazerem login, visualizar páginas e clicar em anúncios.
O relatório alega que o gigante da mídia social com sede em Menlo Park, Califórnia, tem a tecnologia para bloquear atividades fraudulentas, mas apenas a implanta na fase de registro da conta, e não para logins, visualização de conteúdo ou interação com anúncios.
– Essas plataformas estão sendo pagas por visualizações e cliques. E elas podem se beneficiar disso, sejam eles humanos ou não – disse Sachin Dhar, diretor de pesquisa e estratégia da MMI.
O estudo simulou um navegador automatizado fazendo login na plataforma do Facebook, e o software foi capaz de interagir com anúncios visíveis na página. Ao detectar e bloquear o registro de novas contas de bots em sua plataforma, o Facebook mostrou que pode implementar com sucesso técnicas de bloqueio de bots, disse a MMI. Mas não basta, concluiu a consultoria.
O Google, da Alphabet, por sua vez, não consegue reunir informações valiosas sobre o tráfego potencial de bots, disse a MMI.
– O que o Google está fazendo não é nem mesmo tentar medir se um navegador ou dispositivo usado para clicar em um anúncio é um bot ou não – disse Dhar. – Eles não estão coletando nenhum dos parâmetros que são úteis para fazer essa detecção.
Os anunciantes dependem das empresas de tecnologia para relatar com precisão quem viu seus anúncios e se eles foram realmente eficazes.