O GLOBO – 19/12/2019

Mesmo com a função de localização desligada, rede social consegue monitorar usuários que estejam em qualquer um de seus aplicativos, revela empresa em carta a parlamentares americanos. Objetivo é vender anúncios

O Facebook admitiu que monitora cada um de seus usuários, mesmo com a função de geolocalização desativada, por razões de segurança — mas também com objetivos publicitários.


“Inclusive sem a ativação dos serviços de localização, o Facebook ainda pode saber onde o usuário está, com base em informações que ele e outros fornecem por meio de suas atividades e conexões com nossos serviços”, revelou a rede social em carta de 12 de dezembro enviada ao senador democrata Chris Coons e ao republicano Josh Hawley, do Congresso dos Estados Unidos.

O documento foi divulgado na terça-feira no Twitter de uma repórter do site americano The Hill.

Hawley retuitou a publicação da jornalista e escreveu: “Facebook admite. Você apaga os serviços de localização, mas eles sabem onde você está para ganhar dinheiro”.

“Não há como escapar”, continua o senador. “Não há controle sobre sua informação pessoal. Isto é a Grande Tecnologia. É por este motivo que o Congresso precisa agir”.

PUBLICIDADE SEGMENTADA

O Facebook obtém dados pessoais de todos os tipos sobre seus mais de 2 bilhões de usuários frequentes em ao menos uma das plataformas do grupo: Instagram, Messenger, WhatsApp ou o próprio Facebook.

Estes dados são a base do modelo econômico da empresa, que se sustenta com o faturamento em publicidade ultras segmentada em grande escala.

A empresa enfrenta uma série de processos no exterior e no Brasil. Na terça-feira, agigante de tecnologia foi notificada pelo governo brasileiro a prestar esclarecimentos sobre compartilhamento de dados dos usuários, após a integração com o WhatsApp.

A Secretaria Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça e Segurança

Pública (Senacon/MJSP), iniciou uma investigação sobre a rede social, a partir do anúncio de que o WhatsApp teria feito uma atualização em seus termosdeu soe começaria a compartilhar dados de seus usuários como Facebook.