O ESTADO DE S.PAULO – 22/02/2020
O Facebook anunciou ontem um programa inusitado: vai começar a remunerar seus usuários para que eles mandem mensagens de áudio para a rede social. Chamado de Pronunciation, o programa será válido apenas nos Estados Unidos e funcionará dentro do Viewpoints, aplicativo de pesquisa de mercado da rede social.
Para participar, o usuário terá de falar “Hey Portal”, seguido do primeiro nome de algum amigo de sua lista de contatos. Portal é o nome da caixa de som conectada do Facebook,
que disputa espaço no mercado com o Amazon Echo e o Nest Mini, do Google.
Para a tarefa ser completada, o usuário terá de fazer o processo 20 vezes. Um pacote de gravações renderá ao usuário 200 pontos dentro do Viewpoints, que funciona como um sistema de fidelidade. O Facebook avisa que os usuários poderão repetir o processo até cinco vezes. É um valor que garante mil pontos, o mínimo necessário para um saque. Mas o valor não é muito animador: US$ 5 (cerca de R$ 22, pelo câmbio de ontem).
Nas regras do programa, o Facebook afirma que as gravações não serão conectadas com as informações do perfil da pessoa. Ao site especializado em tecnologia americano The Verge, a empresa explicou ainda que nenhuma das atividades do Viewpoints será compartilhada na rede social ou com parceiros da empresa sem o consentimento do usuário.
Além disso, só podem participar do Pronunciation usuários que sejam maiores de 18 anos e tenham pelo menos 75 amigos na rede social.
Polêmica. A iniciativa causou controvérsia nos Estados Unidos, especialmente por conta dos valores baixos e da própria prática de escutar as vozes dos usuários – algo que muitas gigantes de tecnologia fizeram nos últimos anos. Ao longo de 2019, inúmeras reportagens ao redor do mundo revelaram que funcionários não só do Facebook, mas também das gigantes de tecnologia Apple, Google e Amazon, escutavam áudios dos usuários. Muitas vezes, a prática acontecia sem o pleno consentimento das pessoas, com ajuda de assistentes de voz como a Siri, o Google Assistant e a Alexa, respectivamente.
Na indústria, o papel de humanos para treinar máquinas a conversar é amplamente conhecido – são eles que transcrevem áudio e indicam ao sistema se estão entendendo corretamente as informações. Porém, a imagem das gigantes saiu arranhada justamente por esse processo não ser transparente.