A assustadora velocidade no acúmulo de mortes por COVID-19 nos Estados Unidos – o registro total somava mais de 30 mil na manhã desta quinta-feira (16) –, em especial em Nova York, levou o jornal The New York Times a criar uma força-tarefa na redação para garantir a produção de obituários.
Jornalistas de diferentes editoriais foram convocados para o esforço, conta Joe Pompeo, da revista Vanity Fair. Integrantes das equipes de moda, estilo e gastronomia foram temporariamente transferidos para a editoria de óbitos, elevando o número de profissionais no setor de quatro para oito. Os jornalistas das demais editoriais, inclusive correspondentes, também contribuem de forma frequente.
O trabalho é ainda mais árduo porque o jornal decidiu dar, há exemplo do que fez no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, destaque a histórias de pessoas comuns que sucumbiram à doença, como a de um professor do Brooklyn amado pela vizinhança ou a de um trabalhador de um posto de gasolina em Tulsa cujo filho nasceu há apenas um mês.
“Acompanhar as mortes, incluindo o alto número de ícones culturais idosos de Nova York, é um grande desafio”, diz a editora assistente Carolyn Ryan.
Para manter um registro constante das perdas, Dan Wakin, um dos editores de obituários, criou uma série especial (Those We’ve Lost to the Coronavirus) que já lista dezenas de pessoas mortas desde março entre escritores, atores, músicos, atletas, cientistas, educadores, líderes religiosos, médicos, um diplomata britânico, uma mulher de 108 anos que sobreviveu à gripe espanhola e até um dos ex-editores do The New York Times, Alan Finder.