O GLOBO – 09/02/2020
EDILSON DANTAS
Presentes no Brasil há alguns anos, as gigantes de tecnologia pretendem multiplicar as ações que fazem em seus centros de inovação e empreendedorismo em São Paulo em 2020. O movimento coincide com ação do governo, que em março criará uma rede inédita para interligar hubs públicos e privados do estado e participar de uma plataforma internacional de inovação, criada em Israel.
A Estação Hack, do Facebook, que fica na Avenida Paulista, promete treinar este ano 50 mil jovens de todo o país em programação, por meio de cursos on-line. É praticamente o dobro do que a gigante das redes sociais fez em 2018 e 2019, quando 26 mil pessoas foram capacitadas. Além disso, vai abrigar em seu centro 15 empresas, contra as dez que habitualmente passavam por lá —sempre com a preocupação de ter igual número de empresas lideradas por homens e mulheres. Além disso, a Estação Hack só incuba start-ups com impacto social. — O ecossistema é rico quando você tem players compartilhando e fazendo atividades diferentes — diz Eduardo Lopes, diretor da Estação Hack, sobre a pegada social do centro. — As iniciativas que surgiram como nós, nos últimos três, quatro anos, começam a se somar, e espero que as novas venham complementar. O Google Campus, em um prédio próximo da Avenida Paulista, já teve em seus programas 140 start-ups brasileiras, que já geraram mais de cinco mil empregos. — Nossa meta para 2020 são mais 200 start-ups. Faremos mais neste ano do que tudo o que fizemos até agora — afirma André Barrence, diretor do Google for Startups no Brasil. — Vemos que há demanda para isso, há novos ecossistemas nascendo no país, o momento está positivo.
MENOS BUROCRACIA
Vítor Andrade, diretor-geral do iDEXO, centro de inovação da multinacional brasileira de software Totvs, recebeu em seu centro, na Zona Norte de São Paulo, 26 novas start-ups, que se somam às 43 que passaram pelo local desde que ele foi criado, em 2017:
— O espaço físico em São Paulo é importante, aqui estão os principais clientes, os principais financiadores. A cidade está se tornando um hub e, ao mesmo tempo, conseguindo
se conectar com empresas de outros lugares. A gigante Plug and Play, maior centro de start-ups do Vale do Silício, abriu, no último dia de janeiro, seu centro em São Paulo, no bairro do Itaim. A ideia é ajudar grandes empresas a inovarem, como por exemplo a Claro, que confiou à multinacional seu projeto Claro Beon. —O Brasil entrou no radar da empresa, que tem em seu ecossistema parcerias com 400 grandes companhias e 22 mil start-ups. São Paulo já é o grande centro de inovação do Brasil — afirma Luís Dearo, diretor da operação brasileira da Plug and Play. — A inovação só cresce em locais com talentos, que recebe
estrangeiros. São Paulo e o Brasil agora precisam reduzir a burocracia e ampliar a segurança pública e jurídica para atrair talentos globais. Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do estado, diz que o governo tem feito sua parte, desburocratizando, melhorando o ambiente de negócios e investindo em conhecimento e integração com negócios, como o IPT Open Experience, da USP, e o Projeto CITI (Centro Internacional de Tecnologia e Inovação). —Não tiramos um real sequer de nossas universidades públicas, dos nososs centros. Temos 13 parques tecnológicos, oito centros e 13 incubadoras pelo estado
— conta Patricia. — Vamos inaugurar em março uma rede para conectar todos esses centros, públicos e privados. E São Paulo será o primeiro estado do país a participar da plataforma israelense Global Finder Network da Nation Central. Gustavo Gierun, cofundador do Distrito — que conta com quatro centros de startups em São Paulo e um em Curitiba —lembra que a inovação faz parte do estado: Atualmente 45% das start-ups do país estão em São Paulo. Depois vêm Minas (10,8%), Rio Grande do Sul (7,7%), Paraná (6%), Rio (5,8%) e Santa Catarina (5,7%). (Henrique Gomes Batista)