O ESTADO DE S.PAULO – 08/02/2020
Nos últimos anos, um grupo de cinco empresas de tecnologia têm dominado cada vez mais o cotidiano das pessoas e as manchetes de jornais: Amazon, Apple, Google, Microsoft e Facebook. Agora, elas também provam seu peso no mercado financeiro: juntas, as cinco gigantes representam hoje 18% do índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas americanas listadas em bolsas de valores, apesar de serem apenas 1% do total de companhias consideradas pelo índice. Os números foram calculados pela agência de notícias ‘Associated Press’.
O cenário mostra que quem investe em fundos atrelados ao índice S&P 500 está cada vez mais dependente do sucesso das companhias de tecnologia. A Microsoft tem a maior fatia dessa representação, com 4,9% do índice. A Apple vem logo em seguida, com 4,8%, e depois aparecem a Alphabet (holding que controla o Google), com 3,3%, a Amazon com 3,1%, e o Facebook, com 1,8%. Em outros termos, significa que a pessoa que investir US$ 100 em um fundo atrelado ao índice das 500 maiores terá US$ 18 aplicados nessas companhias.
Vale lembrar que, das cinco empresas, quatro delas têm valor de mercado acima de US$ 1 trilhão – só o Facebook não faz parte desse grupo.
Para analistas ouvidos pela AP, há dois riscos dentro dessa configuração. O primeiro é o da concentração. O segundo é o risco presente no mercado de tecnologia, que costuma apresentar bastante volatilidade – não é raro que as ações das companhias de tecnologia se valorizem ou desvalorizem mais de que 5% após notícias negativas.
Outro aspecto complicado é a constante ameaça de regulamentação governamental sobre essas empresas – o tema está na pauta de candidatos à presidência dos Estados Unidos neste momento. As cinco gigantes são alvo de múltiplas investigações do Departamento de Justiça, da Comissão Federal do Comércio, do Congresso americano e de advogados-gerais de diversos Estados americanos.
Histórico. Fazia muito tempo que não havia uma concentração tão grande dentro do índice S&P 500: a última vez que cinco empresas controlaram uma parcela deste tamanho foi pouco antes da bolha “pontocom”, no início dos anos 2000, quando diversas empresas de tecnologia tinham avaliações superestimadas pelo mercado e acabaram quebrando.
A diferença, porém, é que essa concentração também era mais diversificada, incluindo empresas de setores diferentes, como a General Electric.