O ESTADO DE S.PAULO – 26/06/2020
Bruno Romani
O Google anunciou que vai começar a pagar às empresas de mídia por conteúdo de alta qualidade. O programa, que deve estar disponível ainda este ano, começará com empresas do Brasil, da Alemanha e da Austrália.
“Anunciamos hoje um programa de licenciamento para pagar às empresas de mídia por conteúdo de alta qualidade, que serão parte de uma experiência a ser lançada ainda este ano”, disse Brad Bender, vice-presidente de notícias do Google.
Inicialmente, os grupos que serão pagos pelo seu conteúdo são os brasileiros Diários Associados e A Gazeta (ES), os alemães Der Spiegel, Frankfurter Allgemeine Zeitung, Die Zeit e Rheinische Post, e os australianos Schwartz Media, The Conversation e Solstice Media. O Estadão apurou que a gigante negocia contratos com diferentes empresas de mídia no Brasil, que devem ser anunciados à medida em que forem fechados.
O novo produto estará disponível no Google Notícias e no Discover, embora a data ainda não tenha sido anunciada. Bender disse que o Google também se ofereceria para pagar pelo acesso de usuários a artigos pagos no site de empresas. Cada veículo poderá ter diferentes tipos de conteúdo licenciados, como imagens em alta resolução, vídeos e áudio.
Uma longa disputa. Em abril, a autoridade de concorrência da França ordenou que o Google pagasse aos editores franceses o uso de seu conteúdo.
“As práticas do Google causaram sérios e imediatos danos ao setor de imprensa em um momento em que a situação econômica das editoras e agências de notícias é frágil”, afirmou, na época, a Autoridade de Concorrência da França.
A gigante da internet há anos tenta se defender das demandas de pagamento de empresas de mídia de todo o mundo em troca do uso de seu conteúdo, com grupos europeus entre seus críticos mais ferozes.
A disputa, porém, não afeta somente o Google. Reclamações afetam o Facebook sobre uso indevido e não remunerado do conteúdo. A Austrália, por exemplo, disse que obrigaria a rede social a compartilhar receitas de publicidade com grupos locais de mídia.
No ano passado, a Alphabet, empresa controladora do Google, teve alta de 18% na receita, atingindo a marca de US$ 162 bilhões, sendo que a maior parte teve origem na venda de publicidade.
• Visão
“Embora já tenhamos financiado o jornalismo de qualidade no passado, esse programa é um passo significante em nosso apoio a esse tipo de jornalismo.” Brad Bender VICE-PRESIDENTE DE NOTÍCIAS DO GOOGLE