O GLOBO 17 – 16/02/2020

O novo coronavírus vai chegar ao Brasil? Temos estrutura para combater o surto? É possível se curar da doença? Como evitar o contágio? São muitas as dúvidas suscitadas pela epidemia do Covid-2019, que tomou proporções tão grandes que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a decretar emergência internacional.


Para esclarecê-las, a próxima edição do “Encontros O GLOBO: Saúde e Bem-estar” reunirá, na próxima quarta-feira, médicos e especialistas para um debate sobre o tema, no auditório do jornal, na Cidade Nova, em evento aberto ao público.

Realizado pelo GLOBO e patrocinado pelo Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (Cepem), o “Encontros”

tem a curadoria do cardiologista Claudio Domênico e é mediado por Ana Lucia Azevedo, jornalista do GLOBO.

A edição deste mês terá como convidados os médicos Alberto Chebabo, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, e Celso Ramos, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da UFRJ e integrante da Academia Nacional de Medicina.

— É provável que o novo coronavírus chegue ao Brasil —diz Chebabo.

ESTRUTURA DO PAÍS

O infectologista acredita que, num primeiro momento, o país estaria preparado para a eventual ocorrência, pois dispõe de estrutura para fazer diagnósticos e isolar os pacientes infectados. Contudo, o panorama mudaria caso tivéssemos uma epidemia:

—Nenhum país do mundo está preparado para uma epidemia —afirma Chebabo.

Para Ramos, dados recentes indicando a estabilização do número de casos na China não significam que o índice de ocorrências em todo o mundo esteja declinando, “e muito menos que a epidemia esteja extinta”:

—Veja o que está acontecendo com o sarampo. Tivemos um surto no ano passado em São Paulo e ele ainda não acabou. Lembrando que, contra o sarampo, nossa população já tem imunização natural e acesso a vacina.

Para prevenir o contágio e evitar o alarde, Chebabo diz que é preciso lavar as mãos com frequência. Outra medida importante, se- gundo o médico, é imuni- zar-se contra outras doen- ças respiratórias, como a influenza, por exemplo:

— Quanto menos pessoas com doença respiratória na rua, melhor, inclusive para descartar casos suspeitos.

As inscrições podem ser realizadas no site do evento: oglobo.globo.com/projetos/encontros-oglobo.