O ESTADO DE S.PAULO – 14/07/2020
O governo do partido Lei e Justiça (PIS) empreendeu na Polônia uma profunda guinada à direita desde que voltou ao poder, em dezembro de 2015, ano da crise migratória. Seu programa combina ataques às elites sociais e políticas − de Varsóvia e da União Europeia − e mensagens contra a imigração.
Na tentativa de dominar as instâncias do poder, o PIS vem promovendo medidas para controlar o Judiciário, atacando a Corte Constitucional pela cooptação ou pela nomeação ilegal de juízes. O sistema educacional também foi aparelhado, privilegiando a exaltação à identidade nacional. Os serviços de informação exibem um poder crescente, atacando jornalistas independentes.
Próximo de outros populistas, como Donald Trump, nos EUA, e Jair Bolsonaro, no Brasil, o conservadorismo polonês, no entanto, apresenta uma diferença em política externa: o antissemitismo.
Enquanto Trump e Bolsonaro afagam Israel, em busca do voto evangélico, Duda vive às turras com os judeus. Em janeiro, ele boicotou um evento em Jerusalém em homenagem à libertação de Auschwitz. Recentemente, disse que é contra qualquer lei de indenização aos judeus por expropriações durante o Holocausto.