O ESTADO DE S.PAULO – 24/08/2020
Correspondente internacional da revista Veja em Paris durante dez anos, o jornalista e escritor Pedro Cavalcanti morreu na quinta-feira passada em São Paulo, aos 78 anos, após sofrer um enfarte. Também romancista, escreveu os livros A Volta (1980), O Império da Amazônia (2003) e Em Nome do Pai (2003), entre outros.
O jornalista deixa a mulher, Denise, os filhos, Antônio e Vitória, a enteada, Dominique, e os netos, Pierre, Timothée e Guillaume. “Amado pela sua gentileza e integridade fora do comum, deixa um legado extraordinário de escritos talentosos e o exemplo do seu amor à família”, disse o filho Antônio.
Depois de trabalhar como correspondente na França, o jornalista foi editor de diversas revistas do grupo Abril na década de 1980. Nos anos seguintes, atuou no setor público. Foi assessor de imprensa do governo do Estado de São Paulo (1984 a 1994) e da Secretaria de Segurança Pública (1992-1994).
“Ele desarmava seus entrevistados com perguntas inesperadas, agudas”, lembrou o sucessor de Cavalcanti como correspondente em Paris, o jornalista Marco Antônio Rezende.
Pedro Cavalcanti começou sua careira na editoria de Internacional da revista junto com Silvio Lancellotti. “Era um cavalheiro em tudo, no pessoal e no profissional. Depois da Veja, seguimos rumos diversos, sem que perdêssemos o contato nem que diminuísse o nosso afeto mútuo”, afirmou Lancellotti.
Poucos dias antes de morrer, Cavalcanti havia terminado de escrever suas memórias pessoais e profissionais. “Parece que terminou e finalmente pôde descansar. Não era homem de deixar um trabalho inacabado”, disse o filho.
O jornalista também escreveu artigos na seção Espaço Aberto, do Estadão. Em 2018, abordou os desafios da imprensa em meio à disseminação de fake news. “Leitores de fake news costumam sacar palavras isoladas, à procura de qualquer coisa que venha confirmar opiniões preconcebidas.”