O ESTADO DE S.PAULO – 30/05/2020

O jornalista e escritor Gilberto Dimenstein morreu ontem, em São Paulo, aos 63 anos, vítima de um câncer de pâncreas, com metástase no fígado. Ele deixa mulher, dois filhos e um neto. Dimenstein foi diretor da sucursal do jornal Folha de S.Paulo em Brasília e, nos últimos anos, dirigia o site Catraca Livre.


O escritor ainda trabalhou nas revistas Veja e Visão e nos jornais O Globo, Correio Braziliense, Jornal do Brasil e Última Hora. No rádio, fazia comentários na rádio CBN. Depois que descobriu o câncer, no ano passado, costumava falar da doença em entrevistas e preparava um livro sobre a experiência.

Dimenstein ganhou duas vezes principal prêmio nacional de jornalismo, o Esso, em 1988, na categoria principal, com a reportagem A Lista da Fisiologia, e, no ano seguinte, na categoria Informação Política, com O Grande Golpe, ambas publicadas pela Folha. Preocupado com o tema da educação, ajudou a criar a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).

Na literatura, foi autor de uma dezena de livros. Gostava de abordar assuntos socialmente sensíveis como direitos humanos, democracia, política, além do tema da infância, uma de suas principais preocupações. Com o livro O Cidadão de Papel (Ática), ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de não ficção em 1993.

“Seu jornalismo de preocupação social e defesa da democracia fará falta ao Brasil”, disse o diretor de Redação da Folha, Sérgio Dávila. “Uma perda imensa para o jornalismo brasileiro. Um homem íntegro, inspiração para minha geração”, escreveu a jornalista Vera Magalhães, editora do BR Político, do Estadão.

“Gilberto Dimenstein não foi apenas um dos maiores jornalistas do seu tempo, premiado, criativo e corajoso, mas também um ser humano incrível, cheio de generosidade, de visão social”, afirmou a colunista do Estadão Eliane Cantanhêde.

“A perda de Gilberto Dimenstein é gigante para o jornalismo. Ele revolucionou a forma de fazer o nosso ofício. Sempre foi um inteligente analista da vida nacional”, disse a jornalista Míriam Leitão.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), lamentou a morte de Dimenstein. “Inquieto e dinâmico, deu voz a atores antes excluídos do debate nacional. O jornalismo e a sociedade perdem um olhar humanista e solidário”, escreveu Doria.

Em nota, o prefeito Bruno Covas (PSDB) destacou o trabalho do jornalista em defesa da cidade. “Ele defendeu a liberdade de imprensa, as minorias, os mais vulneráveis e, especialmente, a cidade de São Paulo.”