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O jornalista Ricardo Noblat, colunista da revista “Veja” e do Blog do Noblat, também é alvo de inquérito na Polícia Federal por ter feito um comentário no Twitter, em março. A postagem é investigada no mesmo inquérito aberto para averiguar um comentário na rede social do candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL).
Noblat já é alvo de um outro inquérito aberto pela PF no governo Bolsonaro, depois que ele compartilhou
um trabalho do chargista Aroeira que ironizava o comportamento do presidente Jair Bolsonaro durante a
pandemia do novo coronavírus.
O segundo inquérito foi aberto a partir de uma manifestação do deputado federal José Medeiros
(Podemos-MT) encaminhada ao Ministério da Justiça em 22 de abril. O ministro da Justiça, André
Mendonça, requisitou a abertura de inquérito policial na PF para averiguar supostas ameaças contra
Bolsonaro.
Na parte relativa a Noblat, José Medeiros mencionou uma postagem do jornalista no dia 27 de março.
Naqueles dias, Bolsonaro fazia diversos ataques à imprensa, aos governadores e prefeitos e insistia em
descumprir regras de distanciamento social, promovendo aglomerações e desafiando as orientações da
OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre a pandemia.
Noblat disse à coluna que leu um comentário irado de um internauta e comentou em seu perfil no Twitter:
“Do jeito que as coisas vão, cuide-se Bolsonaro para que não apareça outro louco como Adélio”.
Para o deputado Medeiros, a frase “sugere que as pessoas deem facadas no presidente”.
Noblat disse que a interpretação, que deu base ao inquérito, é absurda. “Eu fiz o comentário na sequência
de um outro comentário que alguém tinha colocado e eu interpretei como um sinal de ameaça. Eu só
comentei aquele tuíte que tinha aparecido. Não estava instigando coisa nenhuma. Eu estava dizendo que
tem louco para tudo”, disse o jornalista.
Com 53 anos de carreira no jornalismo, ex-editor chefe do jornal “Correio Braziliense” e da sucursal do
“Jornal do Brasil” em Brasília, Noblat comanda há 16 anos o Blog do Noblat. Já é o quarto movimento de
pressão contra sua atividade profissional desde a campanha eleitoral em 2018. Além dos dois inquéritos,
ele disse que já foi alvo de dois processos abertos pelo então candidato Bolsonaro, um já arquivado,
também após a publicação de uma charge nas eleições de 2018.
“Tudo isso, tanto o primeiro caso quanto o segundo, é uma tentativa de cerceamento da liberdade de
imprensa. E também de intimidação. Eles sabem que não está configurado crime algum em nenhum dos
casos”, disse Noblat.
O jornalista, que trabalha desde 1967, disse que o único paralelo que encontra é o período da ditadura
militar (1964-1985). Desde a redemocratização, ele nunca havia sido processado por um presidente da
República nem havia sido alvo de inquéritos na Polícia Federal.