O GLOBO – 27/02/2020
Desde que publicou a mensagem de WhatsApp do presidente Jair Bolsonaro com um vídeo ligado a manifestações convocadas contra o Congresso e o STF, a jornalista Vera Magalhães tem sido hostilizada por apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais. Vera revelou, na terça-feira, o envio do vídeo por Bolsonaro no site do jornal “O Estado de S.Paulo” e vem sofrendo ataques nas redes sociais inclusive com dados de sua vida particular sendo expostos.
A jornalista publicou ainda uma declaração do presidente feita em 2018 sobre eventual fechamento do Congresso: “Se caísse uma bomba H no Parlamento, pode ter certeza, haveria festa no Brasil”, foi a frase de Bolsonaro na ocasião.
Filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro
(PSL-SP) reagiu, sugerindo que há um abismo entre a “bolha” em que vive a jornalista e a “população em geral”, e escreveu: “Se houvesse uma bomba H no Congresso você realmente acha que o povo choraria? Ou você só faz isso para tentar criar atrito entre o Presidente e o Congresso?”. Vera respondeu que jogar uma bomba no Congresso seria um“ato terrorista” eque ,“se o povo não se preocupar com isso, a democracia acabará”.
Em uma rede social, a jornalista escreveu quen ã ose intimidará comosa taques sofridos .“Deixa eu só dize ruma coisa para vocês: não tenho medo. Em frente. Sempre. E viva o jornalismo profissional. Vamos todos juntos”.
Vera também foi atacada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, e pela deputada Alê Silva (PSLMG), que fez referência a uma frase de Bolsonaro dizendo que a jornalista queria “dar furo”.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota de repúdio à ofensiva contra a jornalista. A entidade diz que Vera foi vítima de doxxing (exposição de dados pessoais) e da criação de um perfil falso em uma rede social. “Quem cria perfil falso pode ser responsabilizado civil e criminalmente. Na esfera cível, responde por danos morais e na criminal, por falsidade ideológica”.
A Abraji considerou “lamentável e preocupante” que o presidente divulgue, mesmo que reservadamente, “ato que vai contra o equilíbrio dos três poderes e contra a própria democracia” e destaca: “Ao desprezar o trabalho da imprensa, ele incita seus apoiadores a atacar jornalistas nas redes sociais, em clara campanha de linchamento virtual”.
Há, pelo menos, dois vídeos circulando pelas redes sociais sobre o ato anti-Congresso.