FOLHA DE S.PAULO 

Iara Lemos
Daniel Carvalho
Danielle Brant
BRASÍLIA
Líderes partidários da base do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Senado dizem acreditar que há chance de o governo apoiar a derrubada do veto à desoneração da folha de pagamento.

Desde julho, senadores deram início a uma articulação para manter o benefício fiscal. A desoneração, que atingiria 17 setores até o fim de 2021, foi barrada por Bolsonaro.

A medida permite a substituição da alíquota de 20% sobre salários por recolhimento de 1% a 4,5% sobre a receita bruta da empresa beneficiada. Os valores são referente à contribuição previdenciária.

Líderes da base de Bolsonaro dizem que nos próximos dias irão trabalhar para mostrar aos colegas que o governo apoia a derrubada do veto como um “reconhecimento pela necessidade de geração de emprego e renda” no contexto do pós-crise da Covid-19.

Desde o início das negociações, eles admitem que o governo não tem votos para manter o veto. A sessão do Congresso para análise do tema deverá ocorrer na quarta-feira (16). A convocação deverá ser feita ainda nesta quarta-feira (9).

Mesmo com o veto de Bolsonaro à prorrogação, a palavra final cabe ao Congresso, que pode derrubar a decisão presidencial com o voto de pelo menos metade dos deputados federais e dos senadores.

“Vamos derrubar o veto e tocar para a frente. O governo tem de ter sensibilidade e entender que neste momento essa questão da folha é fundamental para os empregos e isso deve ter tido o valor para o governo concordar [com a derrubada]”, disse o líder do PR no Senado, Jorge Mello (SC).

Para o vice-líder do partido no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), a decisão do governo de apoiar a derrubada do veto é uma prova de preocupação com o cenário econômico.

“O governo está fazendo o que é possível e melhor para o país, e o Congresso entende que as reformas são o melhor para o desenvolvimento econômico. Política se faz com avanços e recuos.”

Durante os últimos meses, Guedes manifestou aos integrantes da base que o governo tem interesse de manter a desoneração. A grande dificuldade, contudo, seria encontrar as formas de compensação.

Na Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também trabalha pela derrubada do veto.

A interlocutores, ele disse que considera que a proposta do governo de editar uma MP (medida provisória) prorrogando a desoneração por seis meses “não é uma proposta” e já adiantou que qualquer acordo que tenha prorrogação inferior a um ano estaria descartado.

Atualmente, a desoneração abrange empresas do ramo de informática, com desenvolvimento de sistemas, processamento de dados e criação de jogos eletrônicos, call center e empresas de comunicação (mídia).

Segundo a indústria, a desoneração busca evitar um elevado aumento de custo do emprego formal em setores que fazem uso intensivo de mão de obra no fim do ano.

A desoneração permite às empresas adotar uma base de cálculo diferenciada para a contribuição previdenciária sobre a folha salarial. O benefício acaba em dezembro.