O ESTADO DE S.PAULO – 21/03/2020
Bruno Capelas
O novo coronavírus está impondo uma rotina diferente de trabalho a muitas empresas brasileiras: em vez de concentrar os funcionários no escritório, a ordem agora é que cada um trabalhe de casa. Para conseguir dar conta da demanda por equipamentos em um cenário de duração imprevisível, as companhias têm procurado alugar notebooks e desktops (computadores de mesa) para os seus empregados, o que fez os negócios de locação de computadores explodirem nos últimos dias.
Diversas empresas procuradas pelo Estado nos últimos dias alegaram crescimento nas atividades em pelo menos três dígitos. A Simpress, de São Paulo, afirmou ter registrado 500% de aumento na procura pelo fornecimento de notebooks no início da semana, e já fechou contratos com 11 clientes e um total de mil equipamentos. “Também fizemos propostas para o aluguel de mais 7 mil máquinas”, disse o presidente executivo da empresa, Vittorio Danesi.
Já a Agasus, que atua nesse mercado há duas décadas, afirmou ter crescimento de 300% nas vendas com relação ao mês passado no segmento de aluguel de curto prazo. A empresa tem em seu portfólio 30 mil notebooks e 25 mil desktops à disposição dos clientes. A Locatech, por sua vez, informou à reportagem que está com “estoque esgotado para aluguel de curtos períodos” e que está negociando o fornecimento de mais máquinas com a Dell para a próxima semana.
A fabricante Positivo, por sua vez, afirmou que sua divisão de locação de computadores Positivo as a Service teve alta de 344% nos aluguéis desta semana, em comparação ao ano passado. Devido a demanda, a empresa também está flexibilizando seus contratos. “Normalmente, fazemos planos de 36 a 60 meses, mas, com a demanda do home office pelas empresas, estamos abrindo espaço para planos de seis a doze meses”, diz Rafael Campos, responsável pela área na empresa.
Precauções. A consultoria Instituto Trabalho Portátil, que ajuda empresas a se adequarem a situações de trabalho remoto, disse ter tido alta de 50% na procura, entre novos clientes e empresas que já têm algum tipo de política de home office, e querem ampliá-la entre os funcionários. Segundo a consultora Amélia Caetano, que representa a empresa em São Paulo, a dinâmica de trabalho mudou. “Normalmente, levam quatro meses para implementarmos um projeto de teletrabalho nas empresas, mas estamos precisando agir com urgência”, afirmou.
Na visão dela, as empresas precisam entender quais são as prioridades nesse momento e flexibilizar algumas regras. “Segurança da informação é um tema importante, mas as companhias devem estar abertas para a possibilidade de reduzir as restrições nesse momento”, diz. “Também é importante identificar quais são os funcionários que mais precisam de máquinas ligadas aos sistemas da empresa e aqueles que podem trabalhar só com acesso ao e-mail.” De acordo com Amélia, um projeto para incluir 50 pessoas em uma política dessas custa de R$ 50 mil a R$ 80 mil, sem contar o aluguel ou compra dos computadores.
A mesma visão é compartilhada por Fernando Angelieri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (Sobratt), que também auxilia empresas a se orientarem. Segundo ele, um bom projeto de implementação de home office tem três pilares: colaboração, comunicação e sistemas – e este último é o mais difícil de implantar em cenário de urgência, porque está ligado às atividades centrais da empresa.